Dossiê Cosmopolíticas da Imagem

| ano 4, n. 10, 2017 |

| EDITORIAL | 

Em breve este novo dossiê estará no ar. Leia a chamada proposta pelos editores: “Nossa contemporaneidade tem escolhido a imagem como seu regime de verdade, no entanto, num gesto intempestivo, preferimos acreditar que vivemos em uma era pós-verdade (Lapoujade). Uma era em que a imagem tem que se tornar eminentemente especulativa para poder resistir à barbárie que se avizinha (Stengers). Longe de ser correlato ou constatação do mundo, ela tem que se tornar possibilidade de mundos por vir. Ela tem que se tornar nossa aliada na criação de novos e impensados modos de estar junto. Como realidade em si mesma, temos que libertá-la de nossa triste vontade antropocêntrica e deixar que sua potência cosmopolítica aflore. Ela nada deve representar, e sim ser o portal que traz à presença, apreensões de mundos em constante formação. A noção de cosmopolítica, cara para Stengers e Latour, no encontro com a imagem, a nosso ver, apela a que as visualidades e sonoridades se empoderem de uma potência cosmogenética. Por força de hábito falamos de “imagem”, mas a imagem é o que sempre está por vir. Operamos visualidades, sonoridades e o encontro ou desencontro entre estas, para que a imagem não seja o já dado, mas o que se faz e desfaz, o que se dobre e desdobra incessantemente. A luta por não deixar que ela se estagne, para que ela sempre seja uma nova imagem do pensamento (Deleuze). Almejamos a que este dossiê reuna os mais diversos modos como uma cosmopolítica da imagem pode funcionar.

Se todo gesto político é aquele onde uma relação de tensão de forças entre corpos está em jogo (Spinoza), esse jogo tem que acontecer incluído o cosmos interior. Stengers dirá que numa cosmopolítica se trata sempre de uma mise en égalité e não de uma mise en equivalence. Isto é, não há uma medida comum, mas um comum medir do diferir, do devir, pois não há um nós a priori. O nós, assim como a imagem do pensamento, é o que tem que ser experimentando infinitamente. Assim, o estar junto convoca um ato de criação constante, que intuímos, pode ser muito fértil no campo sensível das sonoridades e visualidades. O que podem as sonoridades e visualidades quando se tornam gesto anti-narcisista de nós mesmos (Viveiros de Castro) e pelo contrário são puro encontro com os mundos? Acreditamos que desse encontro podem emergir os mais impensados modos de existência (Souriau) e ecologias de práticas (Stengers) e de experiência (Manning, Massumi) que nos ajudem a resistir aos tempos de catástrofe onde a comunicação das mudanças climáticas costuma fazer da imagem sua refém”.

Sebastian Wiedemann e Susana Dias

Editores

 


 

SUMÁRIO – Dossiê Cosmopolíticas da Imagem

| ano 4, n. 10, 2017 |

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