Nas ruínas dos extremos: midiarte e artivismo como antídotos contemporâneos | Laís Menezes de Souza Silva


Laís Menezes de Souza Silva [1]

 

Introdução 

Será que conseguimos deixar a tecnologia? A falta dela me afeta, honestamente, pois no meu celular está parte da minha memória, meu dinheiro, boa parte dos meus contatos e compromissos. A tecnologia pode ser nociva, tal como temos visto em jornais e noticiários: preocupações sobre o desenvolvimento de armas nucleares, conflitos internacionais que envolvem poder, petróleo e o domínio de quaisquer outros recursos ambientais.

O que podemos talvez determinar, com certa confiança, é que a natureza do ser humano, com toda a sua dualidade, tem um potencial tanto para o bem como para o mal. Seja a natureza ou a tecnologia, ambas podem ser o alvo desse ser, que é humano, mas em parte desfigurado. Em essência, movido pela ganância que o cega e o isola, longe de todos, o mundo vira um campo pelo qual devemos brigar. 

Talvez seja necessário, de fato, entender nossa dualidade para compreender por qual caminho devemos ou queremos andar. Longe de pregar que cegamente caminhamos rumo a um destino ou propósito preconcebido, devemos ter consciência moral de nossos atos e da nossa conduta. Será que ela nos eleva ou nos rebaixa a meros servos obedientes da “banalidade do mal” da contemporaneidade? 

 

(Leia o ensaio completo em PDF)

 

[1] Mestranda do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades Digitais (PPGIHD) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Email: laismenezessouza@hotmail.com.

Nas ruínas dos extremos: midiarte e artivismo como antídotos contemporâneos

 

RESUMO: Este ensaio reflete sobre a intrincada relação entre humanidade, tecnologia e natureza diante do atual colapso socioambiental, frequentemente moldado por uma lógica colonialista e capitalista. Questionando a dualidade entre o natural e o artificial, o texto apoia-se em pensadores como Bruno Latour e Donna Haraway para desconstruir o binarismo limitante e assumir nossa condição de híbridos sociotécnicos. A partir de conceitos como o “colonialismo químico” de Larissa Bombardi e a necessidade de “fazer parentes” no Chthuluceno de Haraway, evidencia-se a urgência de repensar nosso estar no mundo. Como antídoto à cosmofobia e ao extremismo contemporâneo, a pesquisa apresenta a “confluência” e a “biointeração”, propostas por Nego Bispo, e destaca o papel central da arte. Analisando as obras imersivas de Luiza Guimarães, que integram tecnologia e neurociência, e o “artivismo” cosmológico do artista indígena Jaider Esbell, o texto argumenta que a arte possui o poder de interromper o caos. Conclui-se que não devemos temer ou rejeitar a tecnologia, mas sim integrá-la aos saberes originários. Através dessa aliança, torna-se possível hackear as engrenagens de dominação e desenhar um futuro emancipatório, onde a tecnologia e a natureza atuem de forma aliada na reinvenção da nossa própria humanidade.

PALAVRAS-CHAVE: Pós-humanismo. Contracolonialismo. Arte e Tecnologia. Artivismo. Chthuluceno. 


In the ruins of extremes: media art and artivism as contemporary antidotes

 

ABSTRACT: This essay reflects on the intricate relationship between humanity, technology, and nature in the face of the current socio-environmental collapse, which is frequently shaped by a colonialist and capitalist logic. Questioning the duality between the natural and the artificial, the text relies on thinkers such as Bruno Latour and Donna Haraway to deconstruct limiting binaries and assume our condition as socio-technical hybrids. Drawing on concepts such as Larissa Bombardi’s “chemical colonialism” and the need to “make kin” in Haraway’s Chthulucene, the paper highlights the urgency of rethinking our existence in the world. As an antidote to cosmophobia and contemporary extremism, the research presents the concepts of “confluence” and “biointeraction,” proposed by Nego Bispo, and emphasizes the central role of art. By analyzing the immersive works of Luiza Guimarães, which integrate technology and neuroscience, and the cosmological “artivism” of Indigenous artist Jaider Esbell, the text argues that art has the power to interrupt chaos. It concludes that we must not fear or reject technology, but rather integrate it with ancestral knowledge. Through this alliance, it becomes possible to hack the mechanisms of domination and design an emancipatory future, where technology and nature act as allies in the reinvention of our own humanity. 

KEYWORDS: Posthumanism. Counter-colonialism. Art and Technology. Artivism. Chthulucene.


SILVA, Laís Menezes de Souza. Nas ruínas dos extremos: midiarte e artivismo como antídotos contemporâneos. ClimaCom – Eventos extremos – parte 1 [online], Campinas, ano 13, n. 30, jun. 2026. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/nas-ruinas-dos-extremos/