Sou rio | Henrique Cesar Paranhos Martins, Adriana Abadia Amaral, Angelina Rosa Marques, Keyme Gomes Lourenço e Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho
Título | Sou rio
Entre as margens do Córrego Lagoinha, no Parque Santa Luzia, em Uberlândia, o caminhar se transforma em escuta. Ali, entre sombras verdes, folhas e caminhos de terra, a água segue seu percurso silencioso, revelando uma história que corre junto com seu fluxo. O córrego nasce tímido, um fio de água que aprende a respirar entre pedras e margens, desenhando curvas que guardam memórias do tempo, das chuvas e das secas. Em seu caminho, carrega sementes, segredos e histórias que atravessam a paisagem.
Ao redor, a cidade se aproxima. Ruas, cercas e contornos humanos delimitam o espaço do rio, moldando sua presença dentro do território urbano. Ainda assim, entre esses limites, o parque surge como um respiro verde. A mata permanece viva: pássaros ecoam entre as árvores, animais percorrem discretamente o chão coberto de folhas e a vida insiste em permanecer, mesmo quando cercada pelas transformações da cidade. Mas o rio também revela suas feridas. Entre a vegetação e as margens, surgem vestígios de lixo descartado e sinais de uma água que já não corre tão clara. O odor e a coloração alterada denunciam marcas deixadas pela presença humana. Entre folhas e resíduos, natureza e descarte se misturam, lembrando que o ambiente guarda tanto a beleza da vida quanto as consequências do descuido.
Nessa paisagem, o olhar humano também aparece. Há quem passe sem enxergar, incapaz de perceber a beleza ou compreender os sinais de fragilidade do lugar. Há também quem escute o som da água como música, reconhecendo no correr do córrego um ritmo antigo, quase como se a própria paisagem cantasse. Mapas, caminhos, plantas e animais compõem uma rede de relações que revela o rio como parte viva da história do território. Mesmo cercado por limites e atravessado por marcas do tempo, o Lagoinha continua a fluir.
Em sua corrente, a água dança, resiste e se transforma, lembrando que o córrego é mais do que um curso d’água: é identidade. Identidade da paisagem, da vida que ali persiste e das histórias que se entrelaçam entre natureza e cidade. Entre sombras verdes, o córrego segue correndo. Turvo em alguns trechos, ferido em outros, mas ainda vivo. Em seu fluxo silencioso, ele parece pedir apenas que seja sentido. Que sua voz de água seja ouvida entre o ruído da cidade. Que sua presença seja lembrada. E que seu caminho continue a existir, livre para seguir adiante, carregando consigo a memória viva daquele lugar.
Ficha técnica
Série de imagens digitais com fotografias, colagens, composição textual-poética e montagem gráfica/digital

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MARTINS, Henrique Cesar Paranhos; AMARAL, Adriana Abadia; MARQUES, Angelina Rosa; LOURENÇO, Keyme Gomes; ESTEVINHO, Lúcia de Fátima Dinelli. Sou rio. ClimaCom – Eventos extremos – parte 1. [online], Campinas, ano 13, n. 30, jul. 2026. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/sou-rio/
SEÇÃO ARTE | EVENTOS EXTREMOS | Ano 13, n. 30, 2026
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