Daniela Feriani[1]

Fernanda tem graduação em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também fez mestrado e doutorado. Tem pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Unisinos. Foi professora visitante na Universidade da Basileia, na Suíça. É professora associada no departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Grupo de Pesquisa InCoMul (Interação, Cognição e Multimodalidade). Desenvolve pesquisas principalmente nos seguintes temas: corpo, multimodalidade, interação corporificada, videoanálise, autismo, neurodiversidade.
Em 31 de março de 2026, conversei com Fernanda Cruz em um evento online que teve como título “Linguagem, autismo e formas de criar relação”. Este texto é a transcrição da entrevista [2]. Conheci Fernanda durante minha pesquisa de doutorado em Antropologia, com pessoas em processo demencial. Linguagem, corpo, comunicação não verbal, demência, neurodivergência são temas de interesse comum, o que fez com que a gente criasse algumas parcerias, como organizar eventos, escrever artigo, apresentar em congressos e workshops.
Nessa roda de conversa, convidei Fernanda para falar sobre os aspectos multimodais da linguagem e como eles contribuem para a compreensão da comunicação e interação social; a especificidade da linguagem no autismo; o lugar da dança, do corpo, das artes na criação de formas de se relacionar com o outro; os alcances e os limites da inclusão de pessoas com deficiência; a linguagem como desejo, acontecimento, experiência, experimentação e modo de engajamento, especialmente quando se trata de se relacionar com pessoas autistas, acolher diferentes existências, alargar mundos.
ClimaCom – Daniela Feriani – Gostaria de começar com você se apresentando.
Fernanda Cruz – Então, um pouco do meu percurso, a minha formação é em Linguística, eu sou graduada em Linguística pela Unicamp, onde eu também fiz o mestrado e o doutorado na área de ciências da linguagem. Nesse período do doutorado, eu também fiz um doutorado na Ecole Normale em Lyon, na França, um curso de linguagem, com uma professora que está aqui presente, fico muito feliz também em vê-la, a professora Lorenza Mondada. E na sequência dessa formação em linguística, em linguagem, eu me mantive trabalhando no campo das alterações, dentro de um guarda-chuva grande, que tem chamado as alterações linguístico-cognitivas ou condições linguístico-cognitivas específicas.
Meu trabalho inicial é no campo das interações envolvendo pessoas com demência de Alzheimer e também afasias, junto com a professora Edwiges Morato, que é da Unicamp, que tem uma longa tradição de trabalho nessa área. E, nos últimos anos, acho que os últimos quase 20 já, autismo, que foi um campo que veio surgindo para trabalho, ao mesmo tempo em que os diagnósticos ficaram mais precisos, que as políticas de inclusão começaram a avançar, ainda que precisem de mais avanços, em que a gente começa a receber, no ambiente escolar, da educação básica, mas também da universidade, muitos estudantes autistas. Então, esse tema veio surgindo, mas ancorado num tipo de interação específico, as interações das quais participam pessoas autistas que não fazem uso da fala.
Isso acabou construindo meu campo maior de trabalho no campo do autismo. A Linguística, ela é o campo central, digamos assim, organizador das pesquisas, a Linguística interessada na linguagem, mas, centralmente, nas interações sociais. Aqui, a gente tem também uma outra colega, a professora Ana Cristina Ostermann, com quem eu fiz um pós-doutorado também nessa área.
Então, esse é o campo que eu me situo. Eu acho que a gente vai ter oportunidade, aqui, de falar dos encontros desse campo disciplinar com os outros campos de produção do conhecimento.
(leia a entrevista completa aqui)
[1] Antropóloga formada pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Atualmente, é bolsista de Jornalismo Científico (Mídia Ciência) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, com o projeto “A demência como outro mundo possível: ações de divulgação científica” [2024/05623-0]. Email: danielaferiani@yahoo.com.br Instagram: @soproseassombros
