Residência Artística “Eventos extremos: aprender com as águas”

Com esta residência artística, que aconteceu em Recife nos dias 19 e 20 de março de 2026, propusemos aos participantes vivências entre artes, ciências e epistemologias afrodiaspóricas capazes de ativar sensibilidades e modos de atenção às águas diante dos desafios colocados pelas secas, inundações, contaminações, desmoronamentos, bem como pelas desigualdades e injustiças hídricas e pelos processos de apropriação, controle e exploração das águas, considerando de modo central as dimensões de gênero, cuidado e reprodução da vida que atravessam as relações cotidianas com as águas. Em contextos marcados pela intensificação das crises climáticas e socioambientais, os modos modernos e capitalizados de habitar a Terra tendem a se organizar a partir do antropocentrismo e de uma recorrente dificuldade em aprender com as águas e seus modos de existir, apagando saberes historicamente produzidos por mulheres e por sujeitos generificados, responsáveis por práticas de cuidado, manejo e defesa das águas. A residência propos habitar essa tensão, apostando em práticas que entrelaçam criação artística, investigação sensível e partilha de saberes situados, inventando modos de escuta com os corpos d’água e reconhecendo o cuidado como prática política, ética e sensível fundamental para enfrentar os eventos extremos. Ao ativar o corpo, a atenção e a experimentação coletiva, buscamos produzir formas de conhecimento que se deixem afetar pelas águas e por suas maneiras de responder, resistir e compor em cenários de eventos extremos.
Programação
Dia 19/03 – Local APAC (Avenida Cruz Cabugá 1111, Santo Amaro, Recife-PE)
9:00 às 12:00h
Visita à Sala de situação da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) e conversa com pesquisadores e técnicos
Convidados:
Maria Aparecida Fernandes Ferreira
Possui graduação em Meteorologia pela UFPB (1990) e mestrado em Meteorologia pela UFCG (2004). Tem experiência na área operacional de meteorologia no Nordeste e na Amazônia. Foi chefe da estação de meteorologia do Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara de 1993-1995, participando de experimentos com a NASA. Foi bolsista da FACEPE no período de 1998 a 2002, atuando na Secretaria de Recursos Hídricos de Pernambuco e, no período de 2003 a 2006, no Laboratório de Meteorologia de Pernambuco do Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP). Trabalhou no Sistema de Proteção da Amazônia, de 2006 a 2012, como analista gerencial de meteorologia e climatologia. De 2013 até o período atual, é servidor efetivo, analista em meteorologia da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). Participa do grupo técnico e de autoria do Monitor de Secas do Brasil, membro do Comitê de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas do Recife; membro do Fórum Pernambucano de Mudança do Clima; participa do Comitê de Mobilização Social de Controle e Prevenção às Arbovirose; membro do grupo de pesquisa do CNPq Fitomorfologia Funcional e Interações Antrópicas FITANTROP.
Romilson Ferreira
Doutorando no Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco, meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima – Apac, Mestre em Meteorologia na área de Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Meteorologia Aplicada e Modelos Atmosféricos, implementando o modelo atmosférico ETA. Atuando principalmente com previsão do tempo, detecção e prevenção de eventos extremos.
14:00 às 17:00h – Saída da van da APAC (Avenida Cruz Cabugá 1111, Santo Amaro, Recife-PE)
Visita ao ateliê do artista Marcelo Silveira e vivência com o artista
Convidado:
Marcelo Silveira
(Gravatá, PE, 1962) é artista visual com mais de quatro décadas de trajetória. Sua obra se constrói a partir da experimentação com diferentes suportes e linguagens, atravessando escultura, instalação, coleção e arquivo. Sua pesquisa contínua investiga matéria, tempo, memória social e paisagem, articulando gestos de reaproveitamento, deslocamento e montagem, e propondo novas formas de ver o ordinário e os vestígios do uso.
Dia 20/03 – Saída da van da APAC (Avenida Cruz Cabugá 1111, Santo Amaro, Recife-PE)
9:00 às 12:00
Vivência na beira do rio Capibaribe com representantes de comunidades indígenas e quilombolas
Convidados:
Davi da Silva
Pescador e barqueiro no rio Capibaribe.
Ângela Damasceno
Doutora em Sociologia, com mestrado em Engenharia Ambiental Urbana e graduação em Ciências Sociais. Atualmente em estágio pós-doc no programa de regulação e gestão de águas – Prof’Água/ UFBA. Compõe a assessoria técnica da coordenação do programa de Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Ministério Publico dos estados da bacia do rio São Francisco; assessora parlamentar e coordenadora técnica da Escola do Legislativo Péricles Gusmão Régis da CMS; professora colaboradora da Universidade Federal da Bahia; consultora na elaboração e implementação de projetos, programas e ações em escala municipal e estadual para diferentes órgãos públicos. É mãe, mulher que gosta de poesia e de canções, devota das águas, das matas, dos caminhos e dos rochedos.
Local: APAC (Avenida Cruz Cabugá 1111, Santo Amaro, Recife-PE)
14:00 às 17:00
Mesas de trabalho com as águas – práticas artísticas que permitam pensar junto em como aprender com as águas em tempos de eventos extremos e criar conexões entre as diferentes vivências da residência artística
Convidados:
Silvana Sarti
Artista visual, performer, atriz e arte educadora nascida em 1962, vive e trabalha em Sorocaba. Formada em desenho pela Faculdade Santa Marcelina e Letras pela Universidade de Sorocaba UNISO. Cursou restauro de pintura mural em Thiene VI, Itália. Desenvolve suas performances a partir de formas rituais, inspira-se na cosmovisão ameríndia, onde tudo tem uma alma. Foi aluna especial do mestrado em Arte, Cultura e Tecnologia do Labjor Unicamp em 2023. Participou do curso “Extensões, Curadoria como Mediação, Mediação como Curadoria” com coordenação da prof. Dra. Lilian Amaral Diversitas USP, Dr. Pio Santana IA UNESP e Profa. Dra. Rejane Coutinho, UNESP, em colaboração com diversas instituições como o MAC USP, Pinacoteca, Museu de Arte Sacra, 2023. Frequentou como aluna especial a matéria Cultura na condição humana no Programa de pós-graduação em Estudos da Condição Humana da UFSCAR 2024.
Susana Oliveira Dias
É bióloga e artista visual. Tem mestrado e doutorado em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), da Unicamp. É professora do Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) do Labjor-IEL-Unicamp. É líder do grupo de pesquisa “multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações” (CNPq). É editora-chefe da Revista ClimaCom. Coordena, junto com Lilian Maus, a unidade científica Comunicação, cultura e arte do INCT de Segurança Hídrica ONSEAdapta, sob coordenação geral de Suzana Montenegro.
Fernando Camargo
Antropólogo. Doutor em Ciências Sociais (Unicamp – bolsista CNPQ) com tese intitulada “Vida, escrita e transbordamentos: biografias e etnografia do rio Piracicaba”; mestre em Ciências Sociais (Unifesp – bolsista Capes), com dissertação intitulada “Nas margens do rio Piracicaba: o pescador e outras temporalidades da Rua do Porto”; especialista em Gestão Cultural (Senac); e graduado em Ciências Sociais (PUC de Campinas – bolsista de Iniciação Científica). Integra o grupo de pesquisadores do “Visurb – Grupo de Pesquisas Visuais e Urbanas”, coordenado pela Profa. Andréa Barbosa na Unifesp, do “Labirinto – Laboratório de Estudos Sócioantropológicos sobre Tecnologias da Vida”, coordenado pela Profa. Daniela Manica na UNICAMP e do “multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações”, coordenado pela Profa. Susana Dias na Unicamp. Tem experiência na área de Ciências Sociais/Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: rios e outros corpos de águas; imagens e outras grafias; ciências e tecnologias; divulgação científica. Concluiu pesquisa de pós-doutorado no INCT – Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa (ONSEAdapta – Unidade Científica Comunicação, cultura e arte – bolsista CNPQ), onde permanece vinculado. Atualmente, é bolsista de Jornalismo Científico na Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (Esocite.br) com bolsa Mídia Ciência/FAPESP vinculado ao Labjor/Unicamp. Tem interesse em pesquisas socioantropológicas com rios e outros corpos de águas e com experimentações metodológicas e poéticas com imagens e outras (etno/bio/foto) grafias.
Esta residência artística foi uma atividade da Semana da Água 2026 organizada pela Agência Pernambucana de Águas e Clima – Apac e é uma atividade do projeto Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa – INCT-ONSEAdapta (CHAMADA MCTI/CNPq/Capes/FAPs nº 58/2022 – Processo: 406919/2022-4).
Participantes: Anderson Pierre, Ângela Damasceno, Ericka Melo, Fernando Camargo, Jamil Anache, João Vitor, Karla da Silva, Maria Aparecida, Rafael Leão, Rebeca Dias, Romilson Ferreira, Silvana Sarti, Susana Dias, Suzane França e Vanine Farias.


















