Sonho com futuros regenerativos | Beá Meira
Título | Sonho com futuros regenerativos
Estávamos trabalhando num projeto – amigos e parentes, adultos e crianças, empregados e empregadores – durante a passagem do ano de 2025 para 2026, em uma cabana sob um pé de dendê, onde moram de forma definitiva morcegos polinizadores.
Era algo relacionado a uma experiência, ou uma invenção transdisciplinar, em que cada um, em sua peculiaridade, contribuía amplificando a diversificação funcional e promovendo distintos tipos de intervenção. No centro da concepção do projeto estava o Dr. F. distribuindo informações sobre regras e estratégias. Mas todas as pessoas eram únicas e interdependentes em sua atuação: as crianças, o poeta G., a prima, os casais, Davi, Isabela, a guerrilheira, a professora, Sr. Onório o especialista em esgoto, e J. a única capaz de unir os poderes simbólicos da arte com as práticas sociais.
As relações, emaranhamentos em conexões fatoriais, tornavam-se expressões humanizadas, atuando como outros seres, ao produzirem e aprimorarem novos modos de conhecimento.
O projeto tratava-se, na visão onírica e reducionista do dia seguinte, de uma produção de mapas em pedaços, em escalas muito variadas, microscópicas e estrelares, que tratavam basicamente dos três estados da matéria: o sólido, o líquido e o gasoso. A construção dos mapas era, por si só, um processo regenerativo. Ao reconstruir as relações entre os seres e os elementos e reconfigurá-las em linguagens algorítmicas, digitais, visuais, sonoras, corporais e emocionais, tudo ao mesmo tempo, uma existência autônoma se dava, em um tipo de substrato concreto orgânico e vivo.
Pasmem: vendável!
Era preciso testar o projeto para compartilhá-lo com “o resto de toda vida na Terra”, muito além do mangue vivo e remoto onde trabalhávamos. Para isso havíamos escolhido uma cidade pequena ao norte, nos Estados Unidos da América, que de súbito se tornara o lugar mais perigoso do mundo, onde tudo estava ruindo, diante de um genocídio e sob uma nevasca colossal.
E nesta noite, neste lugar, nesta velocidade implacável, com estas pessoas e com todas as vidas em nossas mãos, estávamos fracassando.
Ficha técnica
Mapa Sólido Terra
Monotipia, ponta seca em polímero e chine collé
75 x 58 cm
Mapa líquido Chuva
Monotipia, ponta seca em polímero e chine collé
75 x 58 cm
Mapa Gasoso Vento
Monotipia, ponta seca em polímero e chine collé
80 x 64 cm
Lama
Ponta sêca em polímero e carimbo
53 x 39 cm
Temporal
Ponta sêca em polímero e chine colé
39 x 53 cm
Ciclone
Ponta sêca em polímero
39 x 53 cm
MEIRA, Beá. Sonho com futuros regenerativos. ClimaCom – Eventos extremos. [online], Campinas, ano 13, n. 30, jul. 2026. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/sonho-com-futuros/
SEÇÃO ARTE | EVENTOS EXTREMOS | Ano 13, n. 30, 2026
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