Uma biologia mais que humana | Roberta Paixão Lelis da Silva e Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho


 Roberta Paixão Lelis da Silva[1]

Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho[2]

Uma biologia mais que humana

 

Para esse ensaio, trazemos uma experimentação² que se deu com o intuito de movimentar o pensamento, nos lançar a novos rumos e assim possibilitar novas percepções  acerca da biologia vigente. Pensar em como praticar a biologia de maneira mais inclusiva e menos centralizada em demandas humanas. Uma prática que não seja o contrário da teoria, mas uma prática que por meio de criações, movimente o pensamento,  possibilitando novas formas de relacionamentos entre humanos e mais-que-humanos,  além de criar novas formas de existências e (re)existências.

É recorrente o pensamento na tradição ocidental de que a natureza – assumindo natureza como tudo que é não humano, ou fruto dele, está a serviço da humanidade. Pensamento esse que segundo Bruno Latour (2020) coloca a natureza e a cultura como ocupando lados opostos, e que segundo este mesmo autor é necessário ao falar de natureza inseri-la dentro do par natureza/cultura, uma vez que a chamada “crise climática” nos dias atuais nos mostram é que há uma instabilidade na própria noção de natureza. Para além desta junção natureza/cultura e uma vez que a crise climática se coloca também como uma “alteração da relação com o mundo” seria interessante destacar esse último termo dos conceitos natureza/cultura e assim criar  “um termo que os incluiria como caso particular”. Latour (2020, p. 65-66) propõe chamar esse outro conceito “mais aberto simplesmente de mundo ou de ‘fazer mundo’, definindo-o, de um modo sem dúvida muito especulativo, como o que abre, de um lado, para a multiplicidade dos existentes e, de outro, para a multiplicidade dos  modos que eles têm de existir”. (Leia o ensaio completo em PDF).

[1] Licenciada em ciências biológicas pelo Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (Inbio/UFU). Especialista em docência do ensino superior pela Faculdade Metropolitana do Vale do Aço (FAMEV). Mestre em educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia (PPGED/UFU). Integrante do Uivo – Matilha de estudos em criação, arte e vida (UFU). E-mail: robspaixao1994@gmail.com  

[2] Licenciada em Ciências Biológicas, Mestre e Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professora no Instituto de Biologia (Inbio) e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Integrante do Uivo – Matilha de estudos em criação, arte e vida (UFU). E-mail: lestevinho@gmail.com 

 

Recebido em: 15/09/2022

Aceito em: 15/10/2022

 

 

Uma biologia mais que humana

 

RESUMO: O presente ensaio tem como objetivo experimentar a biologia, pela e em conexão com a arte, forjando novos olhares e tensionando novas percepções sobre a educação em biologia e o seu papel diante das alterações climáticas. Compondo com os pensamentos de Bruno Latour, para pensar a  relação cultura/natureza, ampliando para a ideia de “fazer mundo”. Com  Erin Manning  questionamos o ‘humano’ como categoria epistemológica. A partir desses movimentos, possibilitamos a criação de diferentes caminhos-mundo e diferentes biologias, por entre experimentações. Imagens são criadas para abrir outras perspectivas para pensar biologias e junto com elas uma escrita inventiva entremeada com os poemas de Adriana Lisboa compõem mundos em co-criações. 

 

PALAVRAS-CHAVE:  Erin Manning. Fazer mundo. Biologia-arte.

 

A biology more than human

ABSTRACT: This essay aims to experiment with biology, by and in connection with art, forging new perspectives and tensioning new perceptions about biology education and its role in the face of climate change. Composing with the thoughts of Bruno Latour, to think about the connection between culture/ nature, expanding to the idea of “making world”. With Erin Manning we question the ‘human’ as an epistemological category.From these movements, we enable the creation of different ways-world and different biologies, through experiments. Images are created to open other perspectives to think biologies and together with them an inventive writing interspersed with the poems of Adriana Lisboa compose worlds in co-creations.

KEYWORDS: Erin Manning. Making world. Biology-art.

 


SILVA. Roberta; ESTEVINHO. Lúcia. Uma biologia mais que humana. ClimaCom – Políticas vegetais [online], Campinas, ano 9, n. 23., maio. 2022. Available from:  http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/uma-biologia/ ‎