João Miguel Diógenes de Araújo Lima | Caminhar por cidades e fotografar plantas urbanas


João Miguel Diógenes de Araújo Lima[1]

 

Desarquivar lembranças, pensar o porvir

3 de março de 2002 – Na primeira dobra da capa, o jornal Folha de S. Paulo exibiu a foto de árvores na Avenida 23 de Maio, em São Paulo (SP), esbanjando viçosas flores de cor rosa. Essas árvores eram quaresmeiras, que tinham chamado a atenção de moradores por estarem florindo com maior intensidade e mais vezes naqueles últimos meses. Biólogos e engenheiros entrevistados atribuíram a mudança de comportamento na floração ao estresse induzido pela poluição do ar. A chamada da matéria simplificava a conclusão: “Árvores estressadas dão mais flores em SP”[2]. Luiz Rodolfo Keller, um dos biólogos procurados pelo jornal, analisou que “[…] as plantas estressadas sabem que terão vida mais curta e produzem mais flores para garantir mais sementes” (BIANCARELLI, 2002, p. 11) e, portanto, mais descendentes. Mario Mantovani, então presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, também foi entrevistado pelo jornal e disse: “A florada das quaresmeiras é como se fosse o último grito do verde da cidade”.

Nunca fiz essa caminhada em São Paulo, mas recortei o pedaço de jornal e o mantenho até o momento desta escrita. A imagem das quaresmeiras encontrou um jeito de se enraizar na minha memória, polissêmica: para a árvore, uma estratégia em desespero para manter a espécie viva; para, nós, humanos, uma beleza fora do calendário.

De modo similar às quaresmeiras, desespero, estresse e preocupação com o futuro também são por vezes suscitados entre nós, humanos, em decorrência da chamada crise ecológica. Inclusive, “[…] encontramos referências à situação ambiental para onde quer que se vire, frequentemente dizendo que temos de fazer alguma coisa a respeito (e rápido!)” (CAO, 2015, p. 1[3]). Essas referências constroem problemas de grande extensão, que se emaranham em enunciados imperativos – preservar, reciclar, cuidar, transformar – e um repertório que inclui sustentabilidade, desenvolvimento e, de forma mais abrangente, o mundo e a vida.

Em setembro de 2019 a adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que se tornou conhecida por suas greves pelo futuro às sextas-feiras, vocalizou preocupação e rechaço com um incisivo “How dare you?” (Como ousam?). No início do discurso que proferiu na United Nations Climate Action Summit, Greta afirmou:

Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. […] Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Por mais de 30 anos, a ciência tem sido clara. Como ousam continuar desviando o olhar e vir aqui, dizendo que estão fazendo o bastante, quando a política e as soluções necessárias ainda nem sequer apareceram? Com os níveis de emissões de hoje, o crédito restante de CO2 vai expirar em menos de 8,5 anos. Vocês dizem que nos “escutam” e que entendem a urgência, mas não importa o quão triste ou enfurecida eu esteja, não quero acreditar nisso. Porque se vocês entendessem a situação plenamente e continuassem sem agir, então vocês seriam maldosos. E eu me recuso a acreditar nisso[4].

As mudanças climáticas e o debate em torno do Antropoceno demandam que reviremos o passado e instauram incertezas sobre o porvir, lançando questionamentos aos nossos modos de pensar e viver. Está em movimento uma crítica à aceleração de mudanças geológica pela ação humana, à perspectiva centrada no humano, com uma “fé cega” na excepcionalidade da agência humana (INSTONE; TAYLOR, 2015) e que nos tornaria fundamentalmente separados do resto do mundo (KOHN, 2013).

Nesse panorama, considerando que “[…] o porvir da humanidade parece inseparável do devir urbano” (GUATTARI, 1992. p. 170), é preciso que nós nos perguntemos: como somos cidades?

Talvez elas já nos façam essa pergunta há muito tempo. O que dizem? O que gritam as árvores? “Quanto às árvores, as que sobrarem, o que nos diriam se estivéssemos dispostos a ouvi-las?” (CANÇADO, 2017, p. 125). É preciso estar disposto a ouvi-las… E ouvir as árvores, como na história das quaresmeiras, também é saber ver.

12 de julho de 2013 – De manhã, enquanto uma equipe contratada pela Prefeitura de Fortaleza estava perto de concluir o corte de 94 árvores dentro da área demarcada do Parque Ecológico do Cocó[5], um grupo de 10 manifestantes adentrou o local e se colocou à frente das árvores restantes, paralisando o processo. Os manifestantes jogaram tinta vermelha sobre troncos cortado e toras de árvore. Eles também pintaram partes de seus próprios corpos de vermelho e em seguida posaram para fotos[6]. A tinta vermelha, na intenção de aludir a sangue, construiu um nexo de familiaridade física entre corpos arbóreos e corpos humanos.

A difusão das imagens ampliou a contestação à obra e motivou uma ocupação[7] de manifestantes dentro do parque, com a “[…]  emergência do direito à cidade nos discursos do movimento […] em que pesem as contingências impostas pelo modelo dominante na produção do espaço urbano” (RODRIGUES, 2016, p. 73). A ocupação-acampamento seguiu por 84 dias, até uma violenta ação por parte da polícia[8].

Além da imagem das árvores “ensanguentadas”, outra imagem também provocou ressonâncias: a fotografia do tronco cortado de uma castanholeira, destacando um broto renascendo. Essa imagem compôs a capa de uma zine[9], produzida coletivamente na ocupação, por acampados e visitantes, em 3 de agosto de 2013, com textos, desenhos, fotografias e artigos de jornal. E há plantas que ajudam a ver o futuro (BENJAMIN, 1995). Junto à foto, o recorte de uma frase datilografada: “castanholeira cortada pela prefeitura começa a brotar no parque do cocó”.

Árvores que se estressam, que gritam, que sangram, que renascem. Nos meses seguintes, fiquei a observar as árvores com mais atenção. Em meu habitual ponto de ônibus, por exemplo, contra o sol escaldante da espera, apenas o poste de eletricidade e duas árvores de jasmim-manga propiciavam réstias de sombra. No início de dezembro de 2013, uma das árvores foi cortada. Para minha surpresa, na semana seguinte, já brotava um novo ramo do tronco cortado.

Figura 01 Caminhar plantasFigura 1 – Acervo do autor (2013)

Quem caminha pela cidade com pressa pode não perceber a presença de plantas que brotam de rachaduras das calçadas, que renascem de troncos cortados, que crescem nos cantos das paredes. Depois que o corpo aprende, parece impossível deixar de vê-las. Elas já estavam lá, mas agora se haviam se tornado visíveis, ocupando um lugar, compondo a paisagem urbana: no alto do telhado, de dentro do bueiro, no rejunte de lajotas; às vezes com flores, algumas delas se tornam arbustos e até árvores. Chamei-as de “ocupadeiras”, plantas que não pedem passagem, mas que abrem passagem e ocupam, no seu tempo, no seu ritmo.

Com o desejo de aprofundar essa experiência, de 2014 a 2019 realizei um processo de investigação[10] entre cidade e as artes, aproximando-me também da botânica, que abrangeu (1) caminhar pela cidade de Fortaleza (CE) e fotografar essas plantas e árvores ocupadeiras, com o objetivo de desenvolver saberes do corpo com a cidade e compor um acervo de imagens, além de (2) mapear outras experiências semelhantes, dedicadas a essas plantas e árvores nas cidades.

 

Caminhar e fotografar ocupadeiras

Como ver e ouvir as plantas e as árvores das grandes cidades? Como trazê-las para a conversa se, como argumenta Wellington Cançado (2017), as árvores urbanas sofrem o mesmo desprezo e a mesma intolerância que os citadinos concedem às florestas nativas, vítimas da tirania da mononatureza reinante? Essas questões foram suscitadas em movimento pela cidade, em andanças, a pé, sensível à presença e à ausência de corpos arbóreos.

Caminhar nas cidades requer uma transposição da atitude blasé do desligamento seletivo dos sentidos do corpo, entendida como proteção frente à profusão de “estímulos” (SIMMEL, 1973). Aqui se aposta, pelo contrário, na ativação de sensibilidades e na prática do espaço urbano.

Walter Benjamin (1989) lançou o flâneur como um habitante da cidade que caminha, precisa de espaço livre e quer distância das normas. Décadas depois, entendendo que o ambiente urbano interfere no estado psíquico e emocional das pessoas, a deriva (JACQUES, 2012) emerge como uma prática de rotas que são criadas enquanto se caminha, em que o interesse está em conhecer os motivos que impulsionam o caminho.

Pensando com Félix Guattari (1992, p. 172), as cidades são “[…] imensas máquinas […] produtoras de subjetividade individual e coletiva”. Caminhar é um modo de viver a cidade de perto, colocar o corpo e os sentidos em ação. Fortaleza é a imensa máquina com que convivo.

Tendo o caminhar como uma prática estética que configura paisagens e que se torna um modo autônomo de arte (CARERI, 2013), a prática das errâncias revisita a flânerie e a deriva, como “[…] microdesvios da lógica espetacular dominante – e, sobretudo, das narrativas errantes (micronarrativas)” (JACQUES, 2012, p. 308). Essas abordagens do caminhar abrem possibilidades de se “[…] fazer botânica no asfalto” (BENJAMIN, 1989, p. 35), que é quase literalmente a nossa proposição.

No caminhar pela cidade, os sentidos do corpo são intensamente convocados. Plantas, árvores e folhas chamaram minha atenção, demandando uma intimidade com a cidade, que é somente possível no convívio com ruas e calçadas. Esses são os espaços das coisas desimportantes, que não têm valor e que rejeitamos, pisamos em cima, fazendo referência ao poema de Manoel de Barros (2007). “No achamento do chão também foram descobertas as origens do vôo” (BARROS, 2009, p. 11).

Em trajetos a pé, encontrei ocupadeiras onde o design humano das cidades não previu e onde não as deseja: em telhados e bueiros, em calçadas e paredes, entre tijolos. Crescem sem “pedir licença”, ocupando locais que nós, humanos, não planejamos para elas. Por conta dessa subversão vegetal, algumas têm vidas efêmeras, abreviadas pelo corte.

São também chamadas ervas daninhas – weeds em inglês, malas yerbas em espanhol. A elas costuma-se atribuir uma noção de dano, de impacto negativo. Nas cidades, crescem em espaços que, numa perspectiva antropocêntrica, são considerados inusitados, improváveis ou inadequados para o crescimento de plantas. No contrafluxo dos cortes de árvores, estão frequentemente brotando pelos cantos; no contrafluxo da impermeabilização do solo com asfalto e concreto, criam fissuras e crescem por essas estruturas, evidenciando a fertilidade subterrânea.

Na literatura botânica, não há consenso sobre o que seja espécie exótica, invasora, ruderal e daninha, de modo que Marcelo Moro e outros biólogos (2012) consideram necessário distinguir as terminologias ecológicas das terminologias antropocêntricas. Os termos “ervas daninhas” e “espécies daninhas” se referem a plantas que vão contra os interesses humanos, crescendo “[…] onde não são desejadas pelas pessoas e seu uso é de sentido bastante prático, e não ecológico. Uma planta desejada em um local pode ser indesejada em outro e, nesse local indesejado, será considerada daninha”[11] (MORO et al., 2012, p. 994). As “espécies ruderais” podem ser nativas ou exóticas e são “[…] resistentes aos impactos antrópicos e que ocorrem em áreas degradadas” (MORO et al., 2012, p. 994), como aquelas que proliferam em construções e espaços abandonados por humanos. Juntas, espécies daninhas e ruderais rejeitam o design do planejamento urbano e ocupam a cidade.

São plantas que querem viver e ocupam a paisagem. Elas se tornam plantas “ocupadeiras” e fazem crer que há também um ativismo não humano, das plantas, embora mais silencioso. Ocupam o espaço físico e também o espaço imaginário para nos mostrar que as cidades “[…] não são um ambiente inatural, mas sim transformações da natureza selvagem feitas pelo homem” (SPIRN, 1995, p. 20).

Para a ecologista Suzanne Simard, vivemos um paradigma segundo o qual o homem é separado da Natureza, e que só o homem é sensível. Simard (2015, p. 8, tradução minha) é responsável por pesquisas científicas que conseguiram contestar esse paradigma, mostrando “[…] que plantas e árvores se comunicam e se comportam em modos que geram diversidade florestal, comunidade, saúde, produtividade, adaptabilidade, resiliência – até mesmo equanimidade (ou estabilidade)” [12], em conexões químicas numa simbiose entre fungos e plantas.

Desse modo, a agência da natureza está sempre em busca de dar vazão, inclusive na cidade. Era isso que a castanholeira do Parque do Cocó e o jasmim-manga do ponto de ônibus estavam a me dizer. Reposicionei-me com as ocupadeiras para a vida que pulsa, que existe, resiste e reexiste, que brota.

Comecei a fotografar ocupadeiras na cidade de Fortaleza no ano de 2014, dando início a um projeto fotográfico na plataforma Instagram. Propus que amigos e familiares também se envolvessem nessa atividade em seus cotidianos, publicando fotos das plantas que encontrassem, utilizando a hashtag #ocupadeiras. Depois que uma imagem é publicada com uma hashtag, o Instagram cria uma página que poderia ser acessada diretamente, com um link, congregando imagens com a mesma identificação. Portanto, na medida em que novas fotografias foram publicadas com a hashtag, cresceu também uma coleção acessível ao público.

Figura 02 Caminhas plantasFigura 2 – Acervo do autor (2017)

Houve um retorno positivo dos seguidores[13] do meu perfil @pireytchons, que indicaram locais na cidade onde eu poderia encontrar ocupadeiras e enviaram fotografias de plantas que haviam visto. Alguns também publicaram em seus perfis. Seguidores de outras cidades no Brasil e em outros países também contribuíram com fotografias, constituindo um mapa crescente e colaborativo de ocupadeiras. No entanto, um mapa do efêmero. Percebidas como sinais de abandono e ruína urbana, essas plantas são frequentemente cortadas, puxadas.

A partir dessas fotografias, passei a conhecer outros perfis no Instagram pelo mundo que também se dedicam às ervas daninhas – alguns inclusive fazem a identificação botânica das espécies –, assim como outras hashtags utilizadas para publicar e publicizar as fotografias dessas plantas. Agregando as hashtags #ocupadeiras e #botanarchy [corruptela em inglês para “anarquia botânica”], uma fotografia de uma erva daninha em Fortaleza poderia ser mais facilmente acessível por alguém conhecedor da hashtag #botanarchy na França ou nos Estados Unidos.

Um acervo fotográfico das ocupadeiras[14] foi se constituindo online, com mais de 130 fotografias de uma simbiose entre planta e edificação. Há uma triangulação entre humanos, plantas e edificações que cria a condição de existência e de visibilidade das ocupadeiras. Emergem como encontros multiespécies (HARAWAY, 2003).

 

Mapeamento de fotógrafos de plantas urbanas

Explorando as demais possibilidades do Instagram, deparei-me com outras hashtags usadas para ervas daninhas, que marcavam fotografias de pessoas espalhadas por diversas partes do mundo. Tags em inglês, como #botanarchy [anarquia botânica], #NatureTakesOver [natureza toma conta] e #CantStopNature [algo como “não dá para parar a natureza”], e em espanhol, como #LaVidaSeAbrePaso [a vida abre passagem]. As tags são nós de uma rede mais ampla de percepções que agregam e entrelaçam plantas e humanos, natureza e as construções de humanos em diversas cidades.

Algumas dessas fotografias são publicadas quase sem legendas, como se a planta falasse por si só, por sua existência em si: pelo local inusitado, pela exuberância de cores ou as condições improváveis. Outras fotografias são atreladas às legendas, como imagens-grafias – algumas inclusive recorrem a tons poéticos que criam poemas visuais em homenagem à resiliência e à agência das ervas daninhas frente ao concreto. Tal é o caso do perfil @irrefreaveis, criado pela designer brasileira Paula Tabosa, com fotografias oriundas principalmente da cidade de João Pessoa.

O perfil @PlantsOfBabylon, mantido pelo francês François Decobecq, publica fotografias de ervas daninhas chamando-as de “plantas da Babilônia”. O seu perfil no Instagram também funciona como uma galeria de fotografias de outros usuários: ou ele mesmo pede autorização, ou os usuários podem propor que ele republique uma fotografia ao utilizarem a hashtag #plantsofbabylon.

Numa perspectiva mais científica, o perfil @ConcreteBotany [botânica de concreto], com sede na cidade de Filadélfia, é gerenciado por uma equipe de plant spotters (“olheiros de plantas”) e um especialista de entomologia, apresentando ervas daninhas e suas identificações botânicas.

No trabalho de mapeamento, cheguei a outras hashtags e acervos online:

  • #botanarchy [anarquia botânica]
  • #cantstopnature [não dá pra parar a natureza]
  • #naturetakesover [natureza toma de conta]
  • #lavidaseabrepaso [a vida abre passagem]
  • #urbanplants [plantas urbanas]
  • #irrefreaveis
  • #plantsofbabylon [plantas da babilônia]

Vale ressaltar o quanto que as quatro primeiras hashtags dão conta da percepção dessas plantas como potência de afirmação e imposição da natureza como parte da ruína e da construção de cidades – a depender da perspectiva.

Alguns dos perfis inicialmente mapeados na pesquisa foram:

  • @irrefreaveis, sediado em João Pessoa, com mais de 100 publicações;
  • @arvorexiste, sediado em Belo Horizonte, com mais de 200 publicações;
  • @plantsofbabylon, com mais de 1400 publicações, congrega fotografias de diversos colaboradores, de diversas partes do mundo. O responsável afirma ter iniciado a fotografar a “flora urbana espontânea” em 2006;
  • @concretebotany, sediado na cidade de Filadélfia (EUA), com mais de mil publicações;
  • @pavementplants, sediado em Londres, com mais de 80 publicações.

Para além do Instagram, o museu também agrega projetos artísticos dedicados às ervas daninhas:

  • Ervas sp[15], realizado em São Paulo pela artista Laura Lydia;
  • Vida Baldia[16], conduzido em Fortaleza pelo biólogo Pablo Pessoa.

Essas iniciativas dedicam-se a essas plantas urbanas ora com uma preocupação estética, ora com a identificação botânica das espécies; algumas trabalham com também comparações do antes e depois do surgimento e/ou da retirada das plantas. A pesquisa segue tentando mapear essas formas de vida.

Interessado em conhecer mais a respeito dessas iniciativas, em abril de 2019 elaborei um questionário bilíngue – em português e inglês – e fiz contato com 12 perfis de fotógrafos plantas urbanas, solicitando colaboração. Metade respondeu: @jardinsforadamatrix, mantido por Camila Zyngier, uma arquiteta de Belo Horizonte; @Botanical resilience, mantido por Mariana Coan, uma ilustradora de São Paulo; @Plantsofbabylon, mantido por François Decobecq, no sul da França; e @sidewalk.ecologies, mantido por Gwendolyn Cohen, de Dallas, no Texas (EUA). Os perfis @Pavementplants, que atuava na Inglaterra e agora está na África do Sul, e @Plants_in_places, que está na Inglaterra, pediram anonimato.

Todos os seis respondentes têm em comum a caminhada, seja para se deslocar do trabalho para casa, seja no intervalo de almoço, dando uma volta no quarteirão. Camila (@jardinsforadamatrix) disse: “Eu sempre gostei de observá-las. Houve uma época da minha vida em que precisei de algo para me reconectar com a paisagem da minha cidade”. E complementou: “Considero importante porque é um olhar a ser compartilhado. Muitos conhecidos têm me falado que agora observam os detalhes da cidade, os jardins chamam a atenção para isso”.

Para Mariana (@Botanical resilience), “essas plantinhas são a imagem da resiliência”. Considera que “são lembretes que é possível seguir, apesar dos pesares”.

François (@Plantsofbabylon) começou a fotografar por volta de 2006, quando viu uma flor de dente-de-leão irromper pelo asfalto do estacionamento do lugar onde trabalha.

Gwendolyn (@sidewalk.ecologies) começou a fotografar por “um interesse na prática de observação vernácula de paisagens e um interesse em fenologia[17]”, a fim de acompanhar a ecologia de um conjunto de calçadas ao longo do tempo.

@Pavementplants disse que começou o perfil porque ama plantas e “sempre as percebi crescendo em paisagens dominadas por humanos. A conta no Instagram me proporciona um lugar para compartilhar as plantas que encontro[18].

Quanto à motivação para criar o perfil, o autor de Plants_in_places relatou: “Eu notava diferentes plantas crescendo em lugares inusitados e decidi que queria fazer fotos delas como um passatempo e fazer um perfil para mostrá-las. Eu só quero que as pessoas notem essas pequenas plantas que estão se agarrando ao que podem”[19].

O uso do Instagram foi destacado por três respondentes. Mariana (@Botanical resilience) mencionou a descoberta de “toda uma subcultura de gente que fotografa essas plantinhas”, algo também destacado por Gwendolyn (@sidewalk.ecologies), que pôde encontrar muitos projetos semelhantes. Para François (@Plantsofbabylon), o feedback positivo das pessoas, que se impressionam com as plantas, é o que mais lhe instiga a continuar com o projeto.

Dos seis respondentes, apenas @Pavementplants declarou possuir estudos em botânica e procura incluir a identificação das espécies, por outro lado acredita também que o perfil no Instagram tem uma proposta mais artística que científica. E nenhum dos respondentes declarou ter envolvimento direto com movimentos ambientalistas ou algum ativismo ambiental.

Cada um desses perfis e hashtags trazem fotografias de andanças em ruas de cidades, num processo em que a atenção foi fundamental para se notar a planta fotografada, como um cuidado com o mundo, uma arte de atentividade (DOOREN; KIRSKEY; MÜNSTER, 2016). Fotografar requer que um foco seja estabelecido e que se mire a câmera para ele. Requer um ângulo, uma luz, um equipamento – e uma vontade de publicar para partilhar com outras pessoas o que foi visto.

Desse modo, o meu ato de fotografar e compartilhar fotografias me levou a conhecer as fotografias de outras pessoas. Gradualmente se transformou em um processo de pesquisa, principalmente a partir dos caminhos abertos pelas hashtags, que constituem galerias de fotos de ervas daninhas em interseção.

Busca-se construir diálogos, numa interface entre as artes e a ciência, com fotógrafos espalhados pelo mundo – de olhar amador, artístico e/ou científico – que procuram ressaltar as ervas daninhas como vidas que irrompem pelo concreto, por meio de perfis e hashtags criados em plataformas de publicação e compartilhamento de imagens, como Instagram e Tumblr.

 

Considerações finais

A vida perdura e se reinventa, no chão, pelas paredes, no ar. Atentos aos cantos dos espaços que ocupamos e percorremos, podemos nos deparar com incríveis redes de vida, como nos trouxe Anna Tsing, com sua pesquisa sobre o cogumelo matsutake (2015, p. vii-viii, tradução minha[20]):

Nossa presença tumultuosa enfraquece a intencionalidade moral da masculinidade Cristã do Homem, que separou Homem e Natureza. O tempo chegou para novos modos de contar histórias verdadeiras, para além dos primeiros princípios civilizacionais. Sem Homem e Natureza, todas as criaturas podem voltar à vida, e homens e mulheres podem se expressar sem as restrições de uma racionalidade paroquialmente imaginada. Não mais relegadas a sussurros noturnos, essas histórias podem ser simultaneamente verídicas e fabulosas. De que outro jeito poderíamos explicar o fato de que há qualquer coisa de vivo nesta bagunça que nós criamos?

Em conjunto, tomadas como coleções que se encontros em interseções, essas fotografias em última instância abordam a cidade como o ambiente compartilhado de organismos-em-seu-ambiente (BATESON, 2000). Suzanne Simard (2015) argumenta que vivemos um paradigma segundo o qual o humano é separado da natureza. Nesse sentido, apostam-se nas artes de atentividade (DOOREN; KIRSKEY; MÜNSTER, 2016) desses fotógrafos para problematizar as cidades como um ambiente de “tornar-se com” ambíguo, conflituoso, em que o paradigma antropocêntrico procura invisibilizar as forças não antrópicas ou apresentá-las de modo submisso às forças antrópicas.

A modernidade nos ensinou a evitar tudo que é misturado (LATOUR, 1994), e as ervas daninhas expõem essas misturas quando crescem justamente pelas rachaduras do concreto. No campo do design urbano, a crítica possibilita tentarmos entender e ir além da visão de mundo em que as ocupadeiras sejam percebidas como criaturas urbanas indesejadas.

Há “[…] um estar-junto a entrelaçar homem, cidade e natureza; um tornar-se mundo pela via da coabitação, compondo paisagens hibridizadas” (LIMA, 2016, p. 91). Com as paisagens urbanas multiespécies, vida, tempo e espaço estão articulados. Em conjunto, tomadas como coleções que se encontros em interseções, essas fotografias abordam a cidade como o ambiente compartilhado.

Esse “contradesign” das ervas daninhas é um lembrete da vida que pulsa subterrânea e ao nosso redor (LIMA, 2018). Espero que o acervo de ocupadeiras, assim como todos os outros acervos de “plantas urbanas”, contribuam para que percebamos com que outras vidas convivemos e questionemos nosso lugar do mundo.

Pretende-se, assim, borrar as divisões entre natureza e cultura, entre ambiente e sociedade, que compõem ainda de forma bastante demarcada as disciplinas e as fronteiras de vida e conhecimento. Dar a ouvir e ver as plantas urbanas, como modos de estar no planeta e habitá-lo, implica em (re)pensar essa relação a partir de encontros potentes e experimentações no cotidiano.

 

Referências

BARROS, Manoel de. Matéria de poesia. Rio de Janeiro: Record, 2007.

BARROS, Manoel de. O guardador de águas. 6 ed. Rio de Janeiro: Record, 2009.

BATESON, Gregory. Steps to an ecology of mind. Chicago; Londres: The University of Chicago Press, 2000.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas, v. 3. São Paulo: Brasiliense, 1989.

BENJAMIN, Walter. Rua de mão única: Obras Escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1995.

BIANCARELLI, Aureliano. Estresse faz quaresmeiras florirem mais. Folha de S. Paulo. Cotidiano, p. 11, 03 mar. 2002. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0303200226.htm

CANÇADO, Wellington. O que diriam as árvores? PISEAGRAMA. Belo Horizonte, n. 11, p. 118-125, 2017.

CAO, B. Environment and citizenship. Londres; Nova York: Routledge, 2015.

CARERI, Francesco. Walkscapes – o caminhar como prática estética. São Paulo: Editorial Gustavo Gilli, 2013.

DOOREN, Thom van; KIRSKEY, Eben; MÜNSTER, Ursula. Estudos multiespécies: cultivando artes de atentividade. Tradução de Susana Oliveira Dias. ClimaCom. Campinas, Incertezas, ano 3, n. 7, pp. 39-66, dez. 2016. Disponível em: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/wp-content/uploads/2014/12/07-Incertezas-nov-2016.pdf

GUATTARI, Félix. Restauração da cidade subjetiva. Caosmose: um novo paradigma estético. São Paulo: Ed. 34, p. 169-181, 1992.

HARAWAY, Donna. The Companion Species Manifesto: Dogs, People, and Significant Otherness. Chicago: Prickly Paradigm Press, 2003.

INSTONE, Lesley; TAYLOR, Affrica. Thinking about inheritance through the figure of the Anthropocene, from the Antipodes and in the Presence of Others. Environmental humanities, v. 7, 2015, p. 133-150. Disponível em: <http://read.dukepress.edu/environmental-humanities/article-pdf/7/1/133/251966/133Instone.pdf/>.

JACQUES, Paola B. Elogio aos errantes. Salvador: EDUFBA, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/7894/3/Elogio_aos_Errantes_RI.pdf

KOHN, Eduardo. How forests think – Toward an anthropology beyond the human. Oakland, CA, EUA: University of California Press, 2013.

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SIMARD, Suzanne. Conversations in the forest: The roots of nature’s equanimity. In: SGI Quaterly, n. 79, jan. 2015, pp. 8-9. Disponível em: <http://www.sgiquarterly.org/assets/files/pdf/1501_79.pdf>. Acesso em 10 jan. 2017.

SIMMEL, Georg. [1903]. A metrópole e a vida mental. In: VELHO, Otávio Guilherme (org.). O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973.

SPIRN, A. W. Constructing nature: the legacy of Frederick Law Olmsted. In: CRONON, William (Ed.). Uncommon ground: rethinking the human place in nature. Nova York; Londres: W. W. Norton & Company, 1996, p. 91-113.

TSING, Anna Lowenhaupt. The mushroom at the end of the world: on the possibility of life in capitalist ruins. Princeton, EUA: Princeton University Press, 2015.

 

Recebido em: 25/11/2019

Aceito em: 05/12/2019

 

[1] Bacharel em Ciências Sociais (2011) e mestre em Sociologia (2014) pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisador do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas – LAMUR (UFC). E-mail: jmlimabr@gmail.com

[2] A matéria pode ser consultada no acervo online do jornal: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0303200226.htm

[3] Tradução a partir do original: “[…] we find references to the state of the environment everywhere we turn, often telling us we need to do something about it (and fast!)”.

[4] Tradução a partir do original: “People are suffering. People are dying. Entire ecosystems are collapsing. […] For more than 30 years the science has been crystal clear. How dare you continue to look away and come here saying that you are doing enough, when the politics and solutions needed are still nowhere in sight. With today’s emissions levels, our remaining CO2 budget will be gone in less than 8.5 years. You say you ‘hear’ us and that you understand the urgency. But no matter how sad and angry I am, I don’t want to believe that. Because if you fully understood the situation and still kept on failing to act, then you would be evil. And I refuse to believe that.”

[5] Criado por decreto estadual em 1989, o parque abrange um trecho do rio Cocó, sua floresta manguezal e um campo de dunas. Em 2016, passou por um processo de regulamentação e expansão, concluído em 2017, conferindo ao parque 1.571 hectares de área protegida.

[6] É possível conferir essas fotografias na galeria online do jornal O Povo: https://www20.opovo.com.br/app/galeria/2013/07/12/interna_galeria_fotos,971/imagens-de-protesto-contra-derrubada-de-arvores-no-coco.shtml

[7] A ocupação-acampamento OcupeCocó aconteceu do final de julho ao começo de outubro de 2013, na sequência dos protestos que ficaram conhecidos como Jornadas de Junho no Brasil, inspirado pelos movimentos Occupy. Para um apanhado geral da ocupação, das disputas judiciais e da desocupação, ver o trabalho de Rodrigues (2016).

[8] A fim de situar os leitores, vale dizer que o corte das árvores foi retomado, a obra dos viadutos foi iniciada ainda em 2013 e concluída no final de 2014.

[9] Zines são publicações que podem ser artesanais ou computadorizadas, de autoria individual ou coletiva, envolvendo textos, fotografias, desenhos etc. Originalmente chamado de fanzine (das palavras em inglês fanatic magazine), zines são associados à noção do “faça você mesmo”, devido à sua reprodução de baixo custo por meio de fotocópias. São também objeto de investigação, tomados como fontes bibliográficas, para compreender momentos históricos, relações sociais e afetivas (MEIRELES, 2013).

[10] Esse processo se deu como parte da proposição Entre árvores e sombra, entre plantas e folhas secas, desenvolvida dentro do projeto de pesquisa Arte | Espaço Comum | IntenCidades (2014-2016) e que teve continuidade no projeto Fortalezas Sensíveis, do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas – Lamur, coordenado pela professora Deisimer Gorczevski no Programa de Pós-Graduação em Artes – PPGArtes da Universidade Federal do Ceará.

[11] Nesse sentido, os autores argumentam que há uma abordagem equivocada na literatura taxonômica ligada à agricultura, em que espécies consideradas daninhas são tomadas como invasoras. Embora no contexto de lavoura muitas espécies sejam invasoras, as plantas nativas, mesmo que contrariem os interesses de agricultores, não poderiam ser chamadas invasoras.

[12] Tradução a partir do inglês: “New scientific research showing that plants and trees communicate and behave in ways that engender forest diversity, community, health, productivity, adaptability, resilience – even equanimity (or stability)”.

[13] O Instagram é uma plataforma de publicação de fotografias e vídeos permanentes e temporários em perfis, que podem ser públicos ou privados, permitindo a criação de redes entre “seguidores”. As publicações podem ser “curtidas” e comentadas e, nos perfis públicos, também podem ser compartilhadas. Também é possível marcar as publicações com “hashtags”, que criam etiquetas comuns para as imagens.

[14] O acervo pode ser visualizado pelo buscador do aplicativo Instagram com a hashtag #ocupadeiras ou por meio do link https://www.instagram.com/explore/tags/ocupadeiras/

[15] http://www.ervassp.com/

[16] http://vidabaldia.tumblr.com/

[17] Tradução a partir do original: “An interest in the practice of observing vernacular landscapes, and and interest in phenology”.

[18] Tradução a partir do original: “I love plants and have always noticed them growing in human dominated landscapes. The Instagram account just gives me somewhere to share the plants I notice.”

[19] Tradução a partir do original: “I kept noticing different plants growing in unusual places and decide I wanted to take pictures of them as a hobby and to make an account to show them I just want people to notice these little plants that are holding on where ever they can”.

[20] Tradução a partir do original: “Our riotous presence undermines the moral intentionality of Man’s Christian masculinity, which separated Man from Nature. The time has come for new ways of telling true stories beyond civilizational first principles. Without Man and Nature, all creatures can come back to life, and men and women can express themselves without the strictures of a parochially imagined rationality. No longer relegated whispers in the night, such stories might be simultaneously true and fabulous. How else can we account for the fact that anything is alive in the mess we have made?”

Caminhar por cidades e fotografar plantas urbanas

 

RESUMO: No caminhar pela cidade, os sentidos do corpo são intensamente convocados. Plantas e árvores chamaram minha atenção, demandando uma intimidade com a cidade, que é somente possível no convívio com ruas e calçadas, com os sentidos atentos para ver e ouvir. Este texto compartilha experimentações entre caminhar e fotografar (n)a cidade, num processo de investigação que teve início em 2014, em Fortaleza (CE) com as “ocupadeiras” – plantas que brotam através do concreto. A pesquisa também se desdobrou em um mapeamento de fotógrafos de plantas urbanas pelo mundo.

PALAVRAS-CHAVE: Caminhada. Fotografia. Ervas daninhas.


Walking through cities and photographing urban plants

 

ABSTRACT: Walking through cities, the senses of our body are intensely demanded. Plants and trees caught my attention, calling for an intimacy with the city, which is only possible by sharing life with streets and sidewalks, with the body attentive in order to see and listen. This text shares experimentations between walking and photographing (in) the city, in a process of investigation that began in 2014, in the city of Fortaleza, Brazil, with the ‘ocupadeiras’ – plants that grow through the concrete. The research also unfolded to constitute a mapping of photographers of urban plants around the world.

KEYWORDS: Walk. Photography. Weeds.


LIMA, João Miguel D. de A.  Caminhar por cidades e fotografar plantas urbanas. ClimaCom – Povos Ouvir – A coragem da vergonha [Online], Campinas, ano 6,  n. 16,  dez.  2019. Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/joao-miguel-di…ntas-urbanas-2/