Dossiê “Florestas”

| ano 7, n. 17, 2020 |

| EDITORIAL | 

Em seu décimo sétimo dossiê a revista ClimaCom traz as “Florestas” para pensar. Trata-se de um dossiê especial em que apresentamos textos, imagens, sons que encontram com as potências das florestas e que podem nos mobilizar e sensibilizar de modos inusitados diante da pandemia e da crise governamental que enfrentamos no Brasil. São esculturas, instalações, artigos, filmes, ensaios, desenhos, grafites, fotografias, pinturas, montagens, ensaios, entrevistas, performances, reportagens, vídeo-poemas, poemas, livros, exposições, mostras de cinema e debate, memoriais de disciplinas etc. que reúnem muitos sentidos e forças, pois não apenas pensam as florestas, compõem com elas modos de pensar, de sentir e problematizar, tomando-as como parceiras de criação, pesquisa e escrita, companheiras de produção de visualidades e sonoridades. Trabalhos que se esforçam por escutar o chamado das florestas: inventar e cuidar de um estar junto entre heterogêneos que dure. Assim que poderemos percorrer o modo como buscam reunir: divindades, matas e colagens; fotografias, escritas e desenhos; manguezais, populações afro-indígenas e Antropoceno; escovas de dentes, tampas de aerosóis, teclas de computadores descartados e a cultura e cosmologia do povo Korekore do Zimbabwe; movimento sem-teto, artistas e florestas; agroecologia, semioses e comunicação; almas vegetais, selvagens e minerais e performances; cultura popular, hip-hop e monstros; plantas, pedras, linhas e dobras; algoritmos, cidades e figuras geométricas; poemas, águas e plantas; árvores, mitos e antropologia; desenhos e anotações de um encontro com os Kariri Xocó e o quilombo Cafundó; artes, ciências e clima; máquinas do tempo, tecnociências e mudanças climáticas; poemas, imagens e sons; cinemas, escolas, selvas; pintura, semióticas e cosmologias afro-caribenhas; as vidas que fulguram em uma mata urbana, uma casa de cultura de matriz africana, um laboratório de pesquisas agrícolas, uma sala de aula e uma praça na universidade; contação de histórias, liberdade e nascença…

Poderemos simpatizar com os modos como transbordam e ampliam a noção de florestas, como movimentam um perceber-fazer floresta em muitas práticas diferentes, com materiais os mais diversos, nos lugares os mais impensados. O que faz que este dossiê seja povoado por florestas assim reconhecidas, mas que também experimente a floresta como conceito, funcionamento e sensação. Um chamado a nos engajarmos nas tarefas de conservar e proteger as florestas já existentes e de seguir fazendo florestas por outros modos de existência. Engajamento que pode nascer da leitura e do que as florestas ativam descontroladamente e inesperadamente em nós, humanos, e que nos lança para um além de nós. Gerando simbioses desprogramadas que aumentam a potência de vida e são capazes de gerar impactos alegres e afirmativos em toda a Terra. E, sim, podemos dizer sem receio de sermos considerados românticos ou nostálgicos, que as florestas aumentam a confiança no futuro.

Susana Dias | Editora

Sumário | Dossiê “Florestas”

Ano 7, n. 17, 2020

SEÇÃO PESQUISA

Artigos

Physis e intuición en el pensamiento de Deleuze

José Ezcurdia

A floresta não (a)parece selvagem por todos os lados: encontros inumanos no cinema em escolas infantis

Wenceslao Machado de Oliveira Júnior

Hortas urbanas em regime de comunicação: leituras semióticas

Douglas Galan

Microfissuras de uma videocracia

Maruzia Dultra

Perceber-fazer floresta: a aventura de entrar em comunicação com um mundo todo vivo

Susana Dias

Caminhando pelos manguezais do fim do mundo

Pedro Castelo Branco Silveira

Uma máquina do tempo para frear a savanização da floresta amazônica

Rodrigo Ramiréz Autran

 

ENSAIOS

((R)E)Feito Floresta

Joana Cabral de Oliveira

as coisas no tempo

ana za

Rio. Uma escrita coletiva que pede passagem

Grupo multiTÃO: Alice Dalmaso, Almir da Silva Pinheiro – Mirs, Emanuely Miranda,

Mariana Vilela e Susana Dias

Por uma cultura da floresta: entrelaçar ciência e arte é chave para o futuro da Amazônia

David M. Lapola

 

SEÇÃO ARTE

Artes

Galaxia caribenã

Yermine Richardson

Deusas das florestas

Renata Sieiro Fernandes

Relicários de pequenas vidas

Eduardo Silveira

Povos da floresta

Instituto Socioambiental

Caderneta de anotações

Alda Romaguera, Vanessa Negrão, Sabuká Kariri Xocó e Ritmos

Trilogia da vida

Silvana Sarti

Rés-do-chão

Adriana Lisboa, Graça Castanheira e Pedro Freitas

Son of the soil

Moffat Takadiwa

Excesso

Camila P. Cunha

Monstros interiores

Osmir Mirs

Paisagens de passagem

Valéria Scornaienchi

Lute apenas

Joana Amador e Mariana Lacerda

Terra-floresta

Rafael Fares

Nascente

Mirna Rolim

 

SEÇÃO LABORATÓRIO-ATELIÊ 

Pedagogias da imagem

Gabriel Garcia

Um olhar amoroso e poético sobre a arte de um BrasilUniverso

Bené Fonteles

Remetimentos

Alzira Ballestero, Ana Almeida, Heloísa Gregori, Iza Figueiredo, Marilde Stropp, Patricia Rebello, Sylvia Furegatti, Valéria Scornaienchi e Vane Barini

Ecologia de devires

Susana Dias (coord.)

Guarda contra COVID-19

Gustavo Torrezan

Um livro em cinco minutos

Leandro Belinaso

 

SEÇÃO LIVROS

Floresta²

Susana Dias e Alessandra Penha (orgs.)

 

SEÇÃO JORNALISMO

Entrevista Eduardo Assad | O problema da fome no Brasil não decorre da produção de alimentos, mas sim da distribuição

Por Allison Almeida

Não é eficaz pensar na seca como um fenômeno genérico e abstrato

Por Gláucia Pérez

Abusar da pulsão de vida diante das mudanças climáticas, pandemia e negacionismo

Por Allison Almeida

Diante do Antropoceno, tecer um rio voador para comunicar

Por Gláucia Pérez

Mudanças climáticas e divulgação científica em multientrevista, pluriolhares, poliescutas…

Por Allison Almeida

Escrita e fungos: o que pode essa relação?

Por Gláucia Pérez

E quando o corpo (não) comunica? Artista Lerato Shadi dá a pensar as relações entre corpo e Antropoceno

Por Gláucia Pérez

 

COLUNA ASSINADA

O papel da C&T e da comunidade científica no enfrentamento da pandemia de Covid-19

Ana Maria Nunes Gimenez, Gedalva de Souza, Rebeca Buzzo Feltrin

Coronavírus e clima 

Ulisses Confalonieri, Elizabeth Rangel, Maria de Lourdes Oliveira, Júlia Menezes e Rhavena Santos

 

PRÓXIMOS DOSSIÊS | CHAMADAS ABERTAS

Devir criança: o ingovernável da vida

Editora | Alice Copetti (UFSM)

Submissões até 30 de junho de 2020

 

Epidemiologias

Editores | Kris de Oliveira (IFCH/Unicamp) e Daniela Manica (Labjor/Unicamp)

Submissões até 30 de outubro de 2020

 


FICHA TÉCNICA

Dossiê “Florestas”

Editora | Susana Oliveira Dias (Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, São Paulo)

Editoração | Susana Dias, Gláucia Pérez e Thamires Elizeu

Revisão | Susana Dias

Capa | Susana Dias (colagem e foto grande) e Alessandra Penha (fotos pequenas)

Grupo | multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações (CNPq)

Rede de Pesquisa | Divulgação Científica e Mudanças Climáticas

Instituição | Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor-Unicamp)

Pós-graduação | Programa de pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural

Projetos | Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC 2a. Fase) – (Chamada MCTI/CNPq/Capes/FAPs nº 16/2014/Processo Fapesp: 2014/50848-9)