CHAMADA PARA PUBLICAÇÕES: Dossiê “Fabulações miceliais” | “The Mycelial Fabulations” current call

Editores: Laboratório de Ficção, Ciência e Cultura (LABFICC) – Daniela Albini Pinheiro (DPCT/Unicamp), Flávio Artioli Neto (IA/Unicamp), Isabela Noronha (NEPAM/Unicamp), Lucas Lima dos Santos (IFCH/Unicamp), Rodrigo Autrán (DPCT/Unicamp), Thaís Lassali (IFCH/Unicamp) e Vitor Chiodi (IFCH/Unicamp).

A revista ClimaCom Cultura Científica – pesquisa, jornalismo e arte convida à submissão de artigos, resenhas e produções artísticas e culturais para o seu décimo quarto dossiê, a ser publicado em abril de 2019.

Este dossiê emerge como extensão das discussões e vivências compartilhadas no projeto interdisciplinar “Pensando com Fungos”, desenvolvido pelo Laboratório de Ficção, Ciência e Cultura (LABFICC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ao longo do ano de 2018. Os trabalhos de Anna Tsing e Paul Stamets nos inspiraram a tomar os fungos como companheiros para pensar e fabular e as micélias, em particular, combinam características que as tornam a companhia ideal para nossas fabulações. Na reprodução fúngica, esporos formam hifas e as redes de hifas construídas horizontalmente nos solos são as micélias. Essas redes são parte fundamental do ciclo de reprodução dos fungos e necessárias para a frutificação fúngica, que são os cogumelos. Sua existência, contudo, aponta para características que impactam as formas como pensamos a terra, os fungos, os solos, a floresta, as espécies e todo conhecimento que tenta conectá-los.

Paul Stamets (2005) nos ajuda a identificar as principais características das micélias que as tornam potentes companheiras para as fabulações, a começar pelo fato de que elas não podem ser individuadas. Micélias são uma forma de existência partilhada, que conecta a um só tempo existências múltiplas: árvores, cogumelos, microorganismos do solo, enzimas, micorrizas, o solo ele mesmo e, indiretamente, toda a vida das florestas. Micélias permitem a comunicação entre diferentes árvores e são parte fundamental da ciclagem de matéria orgânica do solo. Stamets sugere ainda que elas são uma espécie de inteligência coletiva, a “internet da natureza”, que é compartilhada e construída por várias espécies ao mesmo tempo, e, como tal,  desempenha papel importante da manutenção da vida no solo e nas florestas. Como Anna Tsing (2015) ressalta, os fluxos mobilizados pela digestão micelial são, ao mesmo tempo, narrativas de degradação e criação – decomposição que configura ou torna possível novos mundos para outros organismos. Na concepção das respostas enzimáticas e químicas à decomposição da matéria, os fungos figuram como “organismos de  interface entre a vida e a morte” (STAMETS, 2005, p.1).

As micélias encontram o húmus de Donna Haraway (2016) para nos ajudar a pensar possibilidades teóricas e criativas para lidar com o antropocentrismo que marca de modo profundo o conhecimento moderno. O solo e os compostos terranos aparecem como alternativa multi-espécie ao conceito de humano: “Somos humus, nem Homo, nem anthropos; somos composto, não pós-humanos” (HARAWAY, 2016, p.55).

É reunindo as interações várias entre fabular e as micélias que chamamos esse dossiê de Fabulações Miceliais. Fabular é criar, conectar e conversar por histórias e paisagens, considerando as múltiplas conexões entre ficções, ciências e experiências vividas, unidas enquanto narrativas sobre (e no) mundo. Essa noção de fabulação é largamente inspirada no conceito de SF de Donna Haraway, que é aberto e formulado por conexões parciais, para conceber a confusão de fronteiras entre “science fiction, speculative fabulation, string figures, speculative feminism, science fact, so far” (HARAWAY, 2016, p. 2) e várias outras possibilidades que não cessam em surgir. Fabular é contar histórias de naturezas diversas e intercambiantes.

Tal como sugere Anna Tsing (inspirada por Ursula K. Le Guin), esse dossiê se propõe a coletar histórias. Serão aceitas contribuições de diversas naturezas para compor nossa micélia fabulativa a partir de derivações dos seguintes temas:

  1. estudos interdisciplinares sobre as multiplicidades de relações entre espécies;
  2. esgotamentos contemporâneos figurados pelos diferentes nomes de Antropoceno, Capitaloceno, Plantationceno, Chthuluceno, entre outros;
  3. histórias de fim de mundo;
  4. narrativas de degradação e composição, criação e precariedade, recuperação e ressurgência, viver-e-morrer-com;
  5. os múltiplos sentidos de terra,  gaia e suas variações;
  6. micologia, microbiologia e relações de decomposição e humificação;
  7. simpoiese e confecções de holobiomas.

Os artigos, resenhas de livro e filmes e produções artísticas e culturais devem ser adequados às normas para publicação e enviados à Comissão Editorial até 31 de janeiro de 2019 por meio eletrônico para climacom@unicamp.br, ou por correio, para o endereço a seguir:

Revista ClimaCom Cultura Científica

Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor)

Universidade Estadual de Campinas – Unicamp

Rua Seis de Agosto, 50 – Reitoria V, 3º piso

CEP: 13.083-873 Campinas, SP, Brasil

 

ClimaCom – NORMAS PARA A PUBLICAÇÃO

SEÇÃO PESQUISA

SUBMISSÃO DE ARTIGOS, ENSAIOS E RESENHAS

A Revista ClimaCom recebe artigos, ensaios e resenhas originais para publicação nos Dossiês para os quais faz chamadas temáticas, e também recebe artigos, ensaios e resenhas originais em fluxo contínuo.

As contribuições são avaliadas pela Comissão Editorial e por pareceristas ad hoc, por meio de revisão às cegas, reservando-se o direito da Revista de propor modificações com a finalidade de adequar os artigos e demais trabalhos aos seus padrões editoriais.

Os originais submetidos à Revista não podem estar em processo de avaliação simultânea em outra publicação e devem ser inéditos no Brasil, cabendo ao Conselho Editorial avaliar a conveniência de publicar ou não trabalhos já divulgados em outros idiomas por revistas e órgãos editoriais de outros países.

Cabe à Comissão Editorial uma análise preliminar dos originais recebidos, a fim de verificar a conformidade com as linhas editoriais e as normas da Revista, podendo recusá-los ou encaminhá-los, caso aprovados, para processo de avaliação com vistas à sua publicação ou não. Poemas e outras modalidades de produção artístico-literária e iconográfica são também publicados, mas unicamente mediante convite da Comissão Editorial.

É condição para a publicação dos materiais a adequação à linha editorial da revista, o cumprimento das normas e a revisão prévia.

Instruções aos colaboradores:

Apreciação pela Comissão Executiva Editorial

Os trabalhos serão, primeiramente, apreciados pela Comissão Editorial Executiva, que solicitará pareceres aos Consultores ad hoc, que permanecerão anônimos. Os artigos serão encaminhados aos consultores sem identificação. Os autores serão notificados da aceitação ou recusa de seus artigos.

Quando forem indicadas modificações substanciais, o autor será notificado e poderá realizá-las, devolvendo o trabalho reformulado dentro do prazo estabelecido pela Comissão. Antes da publicação dos trabalhos, os pareceres serão enviados aos autores. Caso os autores não levem em consideração os apontamentos e sugestões de correção contidas nos pareceres, o texto não será publicado.

A decisão final acerca da publicação ou não do trabalho caberá sempre a Comissão Editorial Executiva.

ARTIGOS

Serão aceitos artigos inéditos em português, espanhol e inglês com o mínimo de 5 páginas (para as áreas de exatas e biológicas) e 10 páginas (área de humanas) e o máximo de 30 páginas, excluindo as referências finais.

ENSAIOS

Serão aceitos ensaios inéditos em português, espanhol e inglês entre 5 e 15 páginas, excluindo as referências finais. Os ensaios caracterizam-se pela maior liberdade formal na exposição do tema de interesse do autor e de seus argumentos. Seu caráter é o de um exercício do pensamento, mas não desprovido de rigor.

RESENHAS

Serão aceitas resenhas de livros indicados pela Comissão Editorial Executiva em português e espanhol de até 8 páginas, incluindo as referências finais.

FORMATAÇÃO PARA ARTIGOS, ENSAIOS E RESENHAS

Os artigos, ensaios e resenhas deverão obedecer estritamente à formatação apresentada nos respectivos templates (margens, tamanho da folha, espaçamentos, tamanho de fonte, estilos etc.), que trazem também exemplos das normas para citação e referenciação. Os casos não exemplificados deverão ser consultados nos documentos da ABNT linkados abaixo.

Template para artigo ClimaCom

Template para ensaio ClimaCom

Template para resenha crítica de livro ClimaCom

Template para resenha crítica de filme ClimaCom

1) Serão aceitos arquivos somente nos formatos Microsoft Word 97-2003 ou versão superior, Oppen Ofice e RTF.

2)As citações deverão seguir a NBR 10520 – 2002;

3)As referências deverão seguir a NBR 6023 – 2002

4) Para o uso de Figuras ver tópico 5.9 da NBR 14724 – 2011

5) Para os artigos, havendo o uso de Quadro e Tabela devem deve ser consultadas as Normas IBGE completo, ou Normas IBGE simplificado.

6) As únicas expressões latinas que poderão ser usadas no corpo do texto e nas notas ao final, quando necessário, é apud e a abreviatura et al.

Observação: A avaliação dos pareceristas ad hoc será anônima. Por isso, solicitamos que os autores enviem, também, uma versão do trabalho sem identificação de autoria para apreciação dos pareceristas.

SEÇÃO ARTE

SUBMISSÃO DE PRODUÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURAIS

Esta seção atua como um espaço expositivo da revista, no qual podem ser publicadas produções artísticas e culturais nas mais diversas modalidades (vídeo, áudio, fotografia, escrita, pintura, desenho, etc.) que possam multiplicar pensamentos em torno das mudanças climáticas na relação com o tema proposto por cada edição da revista.  Também podem ser submetidos registros de produções (instalações, oficinas, exposições, intervenções, etc.), em formato digital para publicação.

A comissão julgadora das produções artísticas e culturais é composta pelo Conselho Editorial e avaliará as submissões com base nas seguintes normas:

1) A Revista ClimaCom é uma publicação eletrônica, por isso TODAS as produções submetidas devem ser convertidas em formato digital (áudio, vídeo ou imagem).

2) As produções devem vir acompanhadas de arquivo PDF, contendo:

  1. dados do(s) autor(es) (nome, instituição, e-mail, telefone);
  2. título da produção;
  3. resumo de no máximo 500 palavras;
  4. no caso das produções audiovisuais, deve conter ainda o link em que o arquivo se encontra disponível para avaliação;
  5. FICHA TÉCNICA da produção no arquivo PDF, com as seguintes informações, quando for pertinente ao trabalho: título da obra, autor, diretor, roteirista, editor, coordenador, técnica, fotógrafo/câmera, música original, financiamento, projeto, país de produção, ano de produção.

3) As produções audiovisuais serão analisadas através de endereço eletrônico gerado pelo youtube ou vimeo, e, no caso das produções aceitas para publicação, o arquivo deve ser encaminhado via CD/DVD para o endereço da revista.

4) As produções submetidas em imagem digital devem possuir resolução mínima de 72 dpi, e com 1024 pixels no maior lado da imagem, nos formatos JPEG, GIF ou PNG.

5) O(s) autor(es) poderão submeter até 1 série de imagens, é aconselhado que cada série seja composta de até 10 imagens (se necessário a equipe da revista poderá efetuar alterações na qualidade e tamanho das imagens, para melhor adequação aos parâmetros da revista, após consultar os autores).

6) Caso seja necessário, um representante da revista entrará em contato com os responsáveis pelas obras selecionadas, por e-mail ou telefone, solicitando o envio de cópias autenticadas dos documentos exigidos por lei, tais como licença ou cessão de direitos autorais, autorização das pessoas filmadas para exibição de sua voz e imagem, autorização para uso de fonograma, músicas, obras audiovisuais, fotográficas ou de outros direitos autorais que sejam relacionados com o vídeo inscrito.

7) O produtor é responsável pela utilização de imagens ou músicas de terceiros em seus trabalhos. Todos e quaisquer ônus por problemas de direitos autorais recairão exclusivamente sobre o realizador do trabalho inscrito.

8) As submissões serão realizadas através do e-mail: <climacom@unicamp.br>, até 31 de janeiro de 2019. O(s) autor(es) deve(m) encaminhar no e-mail o arquivo PDF com os dados, título, link, resumo e ficha técnica da produção, junto às imagens que compõem a série.