ANO 05 - N12 - "Dialogos do Antropoceno" ISSN 2359-4705

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Pequeno guia de observação de pássaros e baleias

Título: Pequeno guia de observação de pássaros e baleias


Resumo: Este guia é um berçário de espécimes. Não oferece coordenadas para localização e identificação de espécimes fora dele. Antes, a cada vez, instaura seus nomes, modos de vida, cantos, movimentos e habitats. Tal instauração é feita de passagens sutis e incessantes entre pequenas esculturas de madeiras (autômatos poéticos), guias de identificação de aves, fotografias, livros do artista Walmor Corrêa, desenhos, experimentações com apitos de pássaros, escritas nas fichas de catalogação aberrantes e partituras feitas em aquarela. A chance de contemplar espécimes nunca vistas é imensa, não porque sejam poucos e privilegiados os que possam visitar os lugares onde vivem, mas exatamente porque qualquer um pode se lançar nessa aventura. Pois que a aventura é a de se dispor a estar em meio às coisas, seres e mundos, atento à vivacidade de tudo, aberto à vida que brota em cada passagem. Um guia especulativo que convoca a necessidade de nos engajarmos junto com os materiais num movimento de iniciação permanente, numa certa etologia poética que faz de uma espécie não um indivíduo fixo, mas antes um complexo de relações em constante transmutação.


 

criação e concepção | Susana Dias

esculturas | feitas pelos participantes da oficina “Autômatos poéticos” com Eduardo Salzane

partituras | feitas individualmente pelos participantes inspiradas na vivência “Devir-pássaro” com Rodrigo Reis Rodrigues durante a oficina “Re-existências sensíveis” e em pequenos grupos durante a oficina “Co-criando com o chão da floresta”

fotografias | Susana Dias

desenhos e montagem das páginas | Maria Luiza Canela de Almeida

oficinas | “Re-existências sensíveis” no 5o. EDICC – Encontro de Divulgação e Cultura. Coord. Susana Dias. Participantes: Andressa Boel, Carolina Scartezini, Érica Araium, Maria Luiza Canela de Almeida, Rodrigo Reis Rodrigues, Sara Melo, Sebastian Wiedemann e Susana Dias (no 5o. EDICC Praça da Paz-Unicamp) | “Co-criando com o chão da floresta” no 21o. COLE – Vivências Dissonantes. Coord. Susana Dias e Sebastian Wiedemann. Org. Glauco Silva, Lavínia Rangel e Maria Rita Moraes. Participantes: Adão Fernandes Lopes, Alzira Fabiana de Christo, Carla J. Moraes, Bethania Vernaschi de Oliveira, Carla Franciele Borges, Francis R. Jesus, Gustavo Grizzo Messenberge, Jéssica Fernanda Silva, Liz Angela Gonçalves Almeida, Lucas Ribeiro Mendes, Lucilia Vernaschi de Oliveira, Luiz Fernando Ribas, Mariana da Cunha Sotero, Mirele Corrêa, Michele M. S. de Freitas, Regiane Fontane, Rejane Cristine Santana Cunha, Renata Rosa Meira e Vilma Pereira da Luz Santos (no 21o. COLE – Gramado da Faculdade de Educação-Unicamp).

Uma criação do grupo multiTÃO e Coletivo Orssarara

 


Todas as atividades que envolveram a criação do “pequeno guia para observação de pássaros e baleias” foram desenvolvidas na Disciplina “Arte, ciência e tecnologia” ministrada pela profa. Susana Oliveira Dias no Mestrado em Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas.

 

Disciplina: JC012 Arte, ciência e tecnologia

Professora – Dra. Susana Dias

Nesta disciplina experimentaremos as florestas como parceiras de pensamento e escrita, ou seja, a transformação das florestas em material de pensamento e escrita. Um pensar e escrever (seja por imagens, palavras, sons, tintas, corpos…) que busca se afetar pelos não-humanos – uma ênfase muito importante hoje dos estudos de ciência e tecnologia, nos estudos multiespécies, nas chamadas linhas de pensamento pós-humanistas. Trata-se de ganhar intimidade com as florestas, conviver com as coisas, seres, mundos e correr o risco de ser devorado por eles. Co-evoluir perto-dentro-junto às florestas, em que nada está só e tudo se converte numa complexidade viva, numa multirelacionalidade em constante transmutação. Talvez assim, acordar uma divulgação científica e cultural que prefere não falar sobre as florestas, mas antes propor-se como encontro com as potências-florestas. Pois que seria menos pensar em comunicar florestas já dadas, e mais um entrar em comunicação com florestas que estão (e precisam estar) em constante formação e movimento. Quem sabe, deste modo, nos tornemos dignos de que as florestas entrem em comunicação conosco, nos tornemos dignos de que elas proliferem por textos, fotografias, pinturas, esculturas, criações sonoras etc., em novas e originais emoções, em novos modos de existir e afetar. A disciplina será dividida em três blocos: 1. Da intimidade com os materiais; 2. Do aprender a pensar com a Terra; 3. Da atentividade e re-ligação com múltiplos modos de existência. Em cada bloco estão propostas leituras e encontros com práticas singulares de distintos ofícios (cineasta, escultor, cientista, babalorixá e ialorixá), pois nos interessam as artes, ciências e tecnologias – com minúsculas e no plural – envolvidas em um fazer. Trata-se de um enfoque mesopolítico (Stengers) em que o foco não são as abstrações e idealizações, mas as técnicas, procedimentos e materiais. Por isso as leituras serão experimentadas nas aulas não apenas através de uma conversa/debate, mas por meio da invenção de passagens incessantes entre o ler-falar-escrever-desenhar-pintar etc. durante a criação coletiva de composições sensíveis. Uma aposta na necessidade de colocarmos o corpo para pensar e escrever, de fazer corpo com as coisas-seres-mundos. Uma aposta que levamos a sério em nosso grupo de pesquisa multiTÃO, no ateliê Orssarara e na revista ClimaCom. Uma aposta de quem trabalha com comunicação-divulgação para quem só faz sentido uma ideia de leitura ligada à escrita (ler é escrever), assim como uma ideia de escrita expandida, que passa não apenas pelas palavras, mas pelos mais diversos materiais e procedimentos, pelos mais diversos problemas.

Programa de Pós-Graduação Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Grupo de pesquisa multiTÃO e Orssarara Ateliê

Projetos:

– Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) – (Chamada MCTI/CNPq/Capes/FAPs nº 16/2014/Processo Fapesp: 2014/50848-9)

– “Por uma nova ecologia das emissões e disseminações: como a comunicação pode modular a mais intensa potência de existir do humano diante das mudanças climáticas?” (CNPq).

– “Imediações aberrantes: processos de pesquisa-criação entre artes, ciências e filosofia para experimentação da comunicação como ecologia de afetos” (Pibic-Faepex)

– Revista ClimaCom: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/

 

 

DIAS, Susana (Coord.). Pequeno guia de observação de pássaros e baleias. ClimaCom – Diálogos do Antropoceno [online], Campinas, ano.  5, n. 12. Ago. 2018 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=9666

 


 

SEÇÃO LABORATÓRIO-ATELIÊ |DIÁLOGOS DO ANTROPOCENO |Ano 5, n. 12, 2018

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