ISSN 2359-4705

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Invasão

Título: Invasão


Autora: Lúcia Quintiliano

Instituição: Instituto de Artes da Unesp


Resumo: A série de intervenções Invasão (2013) usa a iconografia da “Maria Mulata”- um pequeno caranguejinho (Amases angustipes) – como forma representativa para simbolizar a adaptação dos seres às intempéries da vida – e para representar as invasões territoriais.

O contato com a forma iconográfica surge do convívio da artista com os moradores da Ilha Diana. A representação pictórica da “Maria Mulata” nas paredes das casas da Ilha faz com que o caranguejinho seja o objeto estético intermediador das relações entre a artista e a comunidade. A Ilha Diana é uma das últimas comunidades caiçaras da Baixada Santista, e que nos dias de hoje convive com as implicações provindas do aterramento da área de manguezal – território tradicional de pesca da comunidade – por um empreendimento Portuário Privado. Embora, o forte do produto pesqueiro artesanal do lugar não seja o caranguejo, ele é a forma iconográfica que a artista se apropria para esta representação, devido a sua adaptação e resistência ao convívio com a urbanidade. Pois, observa-se que homens e caranguejos convivem no mesmo território pacificamente.

Ao caminharmos pela ilha, avistamos ao redor das casas e das vielas que une uma as outras, as casinhas dos caranguejinhos, ou seja diversos buracos por todo o chão. Os nativos os chamam de “Maria Mulata”, e alertam que eles não servem para o consumo, pois são são venenosos. Desta forma o homem não faz dele o seu leite, ou seja o seu alimento, mas sim o seu espelho. Pois, assim como os moradores necessitam se adaptar as implicações que provem da implantação do empreendimento portuário privado, os pequenos Aratus também precisaram se adaptar a invasão territorial sofrida com a chegada dos moradores ao seu território.

Ao observar estas questões a artista se apropria da iconografia do caranguejo usando-o como objeto estético relacional, tecendo desta forma redes de relações com as quais cria vínculos além da comunidade. Desta forma as ações desenvolvidas imprimem novos significados e novas formas ao objeto estético, deixando ao fruidor um amplo leque de abertura para significar e ressignificar a forma do caranguejo.