O desafio de dar visibilidade às complexas relações entre humanos e rios | Gláucia Pérez

É com a visão de que as águas e os humanos caminham juntos que trabalha o grupo de pesquisa Wadi-Lab na Escola de São Carlos da USP. Nesta reportagem fomos conhecer o trabalho dos jovens pesquisadores desse grupo, sob coordenação do engenheiro Mário Mendiondo.

Por | Gláucia Pérez

Editora | Susana Dias

 

A água é um elemento que participa intensamente da vida dos humanos, numa e complexa “coevolução” entre sistemas hídricos dos rios e as sociedades. “Um caminhar junto que está repleto de padrões”, avalia Mário Mendiondo, o engenheiro e coordenador do programa de pós-graduação em engenharia hidráulica e saneamento (PPG-SHS) da Escola de Engenharia de São Carlos da USP. É com essa visão, de que as águas e os humanos caminham juntos, que Mendiondo lidera um grande grupo de pesquisa que trabalha com hidrologia e desastres naturais na Escola de São Carlos da USP, o Wadi-Lab (Water Adaptive Design & Innovation Lab). Fomos visitar esse laboratório e conhecer os pesquisadores, projetos, materiais, questões de pesquisa, os desafios teóricos e metodológicos enfrentados.

 

Iniciamos a conversa com o pesquisador e engenheiro civil Felipe Augusto Arguello de Souza, doutorando em Engenharia Hidráulica e Saneamento EESC – USP, que no momento está conduzindo uma pesquisa com modelos matemáticos para entender como a população consome água e quais os fatores que influenciam no consumo da água, bem como os possíveis cenários futuros, incluindo as mudanças climáticas. Ele iniciou sua fala apresentando o grupo Wadi-Lab e falando sobre a sociohidrologia, “uma área que iniciou em 2012 na literatura internacional e ainda pouco conhecida no Brasil, e que estuda a relação entre a sociedade e os processos hidrológicos”. Para o grupo, pesquisas que focalizam a interação entre a sociedade e a água com diferentes abordagens permitem contribuir para uma gestão mais eficaz dos riscos e desastres e para mitigar os prejuízos e danos que poderão ser causados pelas mudanças climáticas.

“É interessante pensar que as pessoas nos veem apenas como um laboratório de hidrologia, mas temos livros, maquetes, a parte financeira e social; é um laboratório interdisciplinar”, ressalta Bruno José de Oliveira Sousa, engenheiro civil, atualmente mestrando em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela EESC – USP. Sua pesquisa está relacionada com a aplicação de medidas mitigadoras de drenagem, a intenção é usar dados da própria população para saber o que ela acha da aplicação dessas técnicas e medidas mitigadoras. (Leia a reportagem completa em PDF).

Bolsista TT Fapesp no projeto INCT-Mudanças Climáticas Fase 2 financiado pelo CNPq projeto 465501/2014-1, FAPESP projeto 2014/50848-9 e CAPES projeto 16/2014, sob orientação de Susana Dias e Antonio Carlos Amorim.