Por entre todas las cosas | Ana Eduarda Rigonato Diehl

Título | Por entre todas las cosas

Por entre todas las cosas é um poema de inspiração multiespécies sobre que há de incapturável na natureza, o que não consta em leis gerais ou se submete ao entendimento das formulações científicas, mas que pode ser contemplado desde um lugar de não entendimento, a partir do qual se intui a coexistência entre todas as coisas.

 


Ana Eduarda Rigonato Diehl
Ano de produção: 2021

 

 

Um sábio hermético disse que as coisas do céu em algum momento tocam os
assuntos do chão, porque o que está em cima é como o que está embaixo.
Vai ver por isso que o céu e mar se fundem num mesmo tom. De certo é lá que
as coisas se dissolvem.

Outro dia meu amigo me perguntou o que na natureza tinha cor de anil.
Me lembrei do sanhaçu, da gralha e da arara cujas penas são azul.
No que trata de bicho e de planta, pouco interessam as leis da aerodinâmica
disso e daquilo outro e se tudo é tão pouco provável,
é porque a vida fica se refazendo
e os pássaros se mimetizam nas árvores
as flores se tornam um pouco mais dóceis
para receber o gozo das borboletas monarcas.

Quem sabe oferecer pouso ao amor alheio seja também uma forma de amar.
Uma vez me disseram os homens da ciência que pela proporção entre a cabeça
e as asas, a mamangava não deveria voar
mas depois de ver seu voo,
dei por mim que algumas coisas se situam na exatidão entre o estático e o
movimento
num instante lento para além de qualquer compreensão.

Mamangava suja de pólen, um bicho tão bronco quanto delicado,

penso que a errância também seja caminho.
e das coisas da vida procuro não entender muito
pois tenho certeza que as plantas falam e sobre isso não discuto
apenas intuo
como quem cala e consente
o mistério entre todas as coisas.

 

 

DIEHL, Ana Eduarda Rigonato. Por entre todas las cosas. ClimaCom – Coexistências e cocriações [online], Campinas,  ano 8, n. 20. abril 2021. Available from:http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/por-entre-todas/


 

SEÇÃO ARTE |COEXISTÊNCIAS E COCRIAÇÕES  | Ano 8, n. 20, 2021

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