Nhemongueta Kunhã Mbaraete – Conversas entre mulheres guerreiras | Michele Kaiowá, Graciela Guarani, Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro

Título | Nhemongueta Kunhã Mbaraete – Conversas entre mulheres guerreiras

O projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete é uma troca de videocartas entre três mulheres indígenas e uma não indígena, sob a perspectiva afetiva, etnofilosófica e crítica perante o processo atual de isolamento social devido à pandemia de Covid-19 e ao universo que as permeia. A palavra “Nhemongueta” é um termo em Guarani para fofoca ou conversa à toa, dessas que levamos na porta de casa, em volta da fogueira, deitadas na rede, em cima da cama ou na mesa da cozinha – conversas com amigas/os e/ou parentes, pessoas próximas. “Nhemongueta Kunhã Mbaraete” em Guarani Kaiowá e Mbyá é “Conversas entre mulheres guerreiras”. Fofocar remete a uma ação de resiliência e resistência ancestral de sobrevivência (em referência à antropóloga e curadora Sandra Benites), gesto feito por muitas gerações de mulheres indígenas e não indígenas para existir. Aqui, ressignificamos o termo “fofoca”, que por muitas vezes possui tom pejorativo dentro da sociedade não indígena ocidental. Nosso Nhemongueta tece uma negociação cultural de culturas distintas e singulares, sobre as vivências destas mulheres, como artistas, indígenas, não indígena e cineastas, e na criação a partir das diferenças. 

Como parte poética e do pensamento etnofilosófico de “Nhemongueta Kunhã Mbaraete”, nos aliamos às “Panambi Mbaraete”, que em Guarani Kaiowá e Mbyá significa “Borboletas guerreiras” ou “A ação das borboletas”. “Panambi Mbaraete” é a consciência de que cada atitude importa. Nossas escolhas interferem na Terra. Assim, por também fofocarem com as flores, as panambi, borboletas, compõem nossa identidade visual e conduzem o conceito do projeto. Um projeto de reencontro, conexão e reflexão, de pensar em como estamos neste mundo – e o mundo neste momento de desaceleração – com cautela e mudança de valores, de políticas, de espaços e hábitos. 

É nesse mundo que ainda está por vir, nas trocas de mensagens videográficas com fotos, vídeos e áudios que fazemos uma experiência de videocartas, entre mulheres que vivem em distintos estados brasileiros, com diferentes trajetórias de vida, diferentes recortes sociais, raciais e culturais, mas que aprendem juntas, trabalham juntas e possuem uma relação de amizade. Nas escritas de si e das relações entre essas mulheres, somos todas e todos convidadas/os a olhar para dentro da nossa própria casa – nossa casa corpo (principalmente se a experiência for de a um espectador e espectadora), nossa casa, planeta Terra, e a casa do não indígena – um sistema político, social e econômico – que não abriga nem cuida e é cercada de muros. Nesse movimento dentro/fora e igual/diferente, criam juntas, distantes localmente mas próximas com afeto.

 


Autoras

Michele Perito Kaiowá, formada em direção pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, pertence ao povo Guarani Kaiowá. É professora na Escola Municipal Indígena Pai Chiquito (Panambizinho, MS) e participa da Ascuri (Associação Cultural dos Realizadores Indígenas). Formada em 2008 por jovens realizadores/produtores culturais Guarani, Kaiowá e Terena, a Ascuri busca, por meio de novas tecnologias de comunicação, criar estratégias de resistência para os povos indígenas do Mato Grosso do Sul (MS), fortalecer a luta pelo território tradicional e pela democracia midiática. Participou do projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete, trocas de vídeo-cartas com Graci Guarani, Michele Kaiowá e Patrícia Ferreira, comissionada pelo Instituto Moreira Salles durante a pandemia de Covid-19.

Contato: Micheleconciaza@gmail.com

Graciela Guarani, pertencente à nação Guarani Kaiowá, é produtora cultural, comunicadora, cineasta, curadora de cinema e formadora em audiovisual. Uma das mulheres indígenas pioneiras em produções originais audiovisuais no cenário Brasileiro, tem um currículo que inclui direção e roteiro em 8 curtas metragens, uma série de vídeos cartas “Nhemongueta Cunha Mbaraete “ (IMS/RJ), co-direção e cinegrafista no longa My Blood is Red (Needs Must Film),  formadora no Curso Mulheres Indígenas e Novas Mídias Sociais- da Invisibilidade ao acesso aos direitos pela @onumulheresbr  e TJ/MS – MS 2019, Cineasta facilitadora na Oficina de Cinema – Ocupar a Tela: Mulheres, Terra e Movimento pelo IMS e Museu do Índio – RJ 2019, Convidada como debatedora da Mesa redonda Internacional de Mulheres na Mídia e no Cinema na 70a. Berlinale – Berlin International Film Festival 2020 @berlinale

Contato: graci.poty@gmail.com

Patrícia Ferreira Pará Yxapy, é professora e realizadora audiovisual indígena da etnia Mbyá-Guarani. Em 2007, cofundou o Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema. Está finalizando seu primeiro longa e circula em festivais de cinema com o filme TEKO HAXY – ser imperfeita, codirigido com Sophia Pinheiro.  Em 2019, participou da mostra Performances Ameríndias do Doclisboa (Lisboa), participou como artista da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil. Em 2020, teve sua primeira exposição individual na Berlinale, dentro da mostra do programa Forum Expanded e participou do projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete, trocas de vídeo-cartas com Graci Guarani, Michele Kaiowá e Sophia Pinheiro, comissionada pelo Instituto Moreira Salles durante a pandemia de Covid-19. Já realizou os filmes: As Bicicletas de Nhanderu; Desterro Guarani; TAVA, a casa de pedra; e No caminho com Mario.

Contato: yxapy.patri@gmail.com   

Sophia Pinheiro é doutoranda em Cinema e Audiovisual do PPGCine – Programa de Pós-graduação da UFF; bacharel em Artes Visuais e mestre em Antropologia Social pela UFG. É pensadora visual, interessada nas poéticas e políticas visuais, etnografia das ideias, do corpo e marcadores da diferença, principalmente em contextos étnicos, de gênero e sexualidade.  Expôs seus trabalhos artísticos no Brasil e no exterior. É codiretora com Patrícia Ferreira Pará Yxapy do filme TEKO HAXY – ser imperfeita, professora da Academia Internacional de Cinema (RJ), foi artista residente do programa Formação e Deformação – Emergência e Resistência 2019, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ) e participou do projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete, trocas de vídeo-cartas com Graci Guarani, Michele Kaiowá e Patrícia Ferreira, comissionada pelo Instituto Moreira Salles durante a pandemia de Covid-19. 

Contato: sophiaxpinheiro@gmail.com

 


Ficha Técnica

Direção, fotografia e roteiro | Michele Kaiowá, Graciela Guarani, Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro

Montagem | Alexandre Pankararu e Fábio Costa Menezes

Produção e comunicação visual | Sophia Pinheiro

Obra Comissionada por Instituto Moreira Salles – Programa IMS Convida

Com apoio do Museu do Índio

Instagram do projeto | @nhemongueta

 

 

 

Conversas n.1

De Michele para Sophia / De Graciela para Patrícia / De Patrícia para Michele / De Sophia para Graci

 

Conversas n. 2

De Michele para Patrícia / De Graciela para Sophia / De Patrícia para Graciela / De Sophia para Michele

 

Conversas n. 3

De Michele para Graciela / De Graciela para Michele / De Patrícia para Sophia / De Sophia para Patrícia

 

Conversas n. 4

De Michele para Graciela, Sophia e Patrícia / De Graciela para Patrícia, Sophia e Michele / De Patrícia para Graciela, Michele e Sophia / De Sophia para Graciela, Michele e Patrícia

 

KAIOWÁ, Michele, GUARANI, Graciela, YXAPY, Patrícia Ferreira Pará e PINHEIRO, Sophia. Nhemongueta Kunhã Mbaraete – Conversas entre mulheres guerreiras. ClimaCom – Epidemiologias [online],  Campinas,  ano 7, n. 19. dezembro. 2020. Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/nhemongueta_kunha_mbaraete/


 

SEÇÃO ARTE |EPIDEMIOLOGIAS| Ano 7, n. 19, 2020

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