Mauro Tanaka Riyis | Tornar audíveis forças não audíveis por si mesmas

Título: Tornar audíveis forças não audíveis por si mesmas pt.01


Resumo: Como podemos desenvolver uma escuta-pensamento? Como disse Murray Schafer, nossos ouvidos são desprovidos de pálpebras, ao contrário dos olhos. E nosso mecanismo de defesa frente à imensa quantidade de estímulos auditivos que recebemos diariamente é a dessensibilização para os sons ao nosso redor. O que seria o silêncio hoje? Para quem mora em uma movimentada avenida de uma grande cidade, provavelmente os sons do trânsito sejam esse silêncio. Ou seja, estamos caminhando para a surdez. A proposta do grupo World Soundscape Project da Simon Fraser University do Canadá volta a sua atenção ao ambiente sonoro e a sua crescente poluição desde o final dos anos 60 e início dos anos 70, e propõe que podemos cuidar desta importante questão ambiental a partir da sensibilização da escuta a partir de um conceito denominado de paisagem sonora. Nos encantamos com as fotos de viagens com as exuberantes paisagens ou mesmo de registros imagéticos de culturas e locais diferentes, mas estas surgem desprovidas de som. Como e quais seriam os sons dessas paisagens? Venho então registrando paisagens sonoras dos lugares por onde passo, por onde habito. Pode ser que um dia, assim como os relevos, as vegetações e animais que deixarão de existir, esses sons que registro também se extingam. Este registro foi realizado durante uma saída de um grupo de artistas visuais para registrar em desenho um afluente do Rio Sorocaba e que contou com uma fala de morador de rua que ficou curioso em relação àquela ação e com os equipamentos de gravação. 


Título: Tornar audíveis forças não audíveis por si mesmas pt.02 

Resumo: Peça musical composta a partir dos sons dos arames de uma cerca de alambrado sendo tocado pelo vento e captados por uma lupa sonora constituída por dois captadores de contato piezoelétricos presos aos arames com prendedores de roupa de madeira. Os captadores enviam o sinal a um gravador Zoom H4n.

 


Sobre a música, a linguagem e a representação

“Tenho me guiado, nos campos das minhas pesquisas, práticas artísticas e trocas de saberes com escolas e outros setores ligados à arte e a educação, pela ideia de que é preciso experimentar o fenômeno sonoro se desprendendo da perspectiva representacional da música”.

“O pensamento dogmático da música européia, tonal, que dita uma fórmula uniformizante de sons, forma e significados, tornam a audição um componente passivo do ser humano (temos formado excelentes reprodutores de músicas consagradas do século XIX nos conservatórios). Quando poderia ser um importante componente do pensamento, da criação e da liberdade”.

“A música, na minha opinião, não é uma linguagem, pois não tem por objetivo comunicar significados, e é isto que a diferencia das linguagens.”


FICHA TÉCNICA PARTE 1

Captação dos sons: gravador ZOOM H4n, tripé e filtro de vento. 

Local: Um afluente do Rio Sorocaba próximo ao cruzamento da Av. Washington Luiz com Comendador Pereira Inácio, na cidade de Sorocaba-SP. 

Data: A captação ocorreu no dia 27-06-2019 entre 14h e 16h. 

Conteúdo: Nesta faixa, temos a intervenção de um transeunte falando a respeito da sua preocupação com a natureza, posse de terras, etc. Também é possível identificar que com o avançar da hora, que o nível de ruído aumenta.

 

FICHA TÉCNICA PARTE 2

Captação dos sons: Captador de contato piezoelétrico artesanal ligado ao gravador ZOOM H4n. 

Local: Cerca de alambrado em Araçoiaba da Serra-SP. 

Data: 06 de julho de 2019.


Mauro Tanaka Riyis – Grupo Ritmos – Estética e Cotidiano Escolar/UNISO 

e-mail: musicaserveparaisso@gmail.com 

Telefone: 15 98117-2222

RIVIS, Mauro Tanaka. Tornar audíveis forças não audíveis por si mesmas. ClimaCom – A Linguagem da Contingência [online],  Campinas,  ano. 6, n. 15. Ago. 2019 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/mauro-tanaka-riyis-tornar-audiveis-forcas-nao-audiveis-por-si-mesmas/


 

 

SEÇÃO ARTE | A LINGUAGEM DA CONTINGÊNCIA | Ano 6, n. 15, 2019

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