Linnaeus | Marcelo Moscheta

  No princípio, era o jardim, então o homem – podemos pensar em Adão, em Carolus Linnaeus, em cada cientista de nossa história – principiou a tarefa de dar nomes às coisas, fazer da alteridade sua prole intelectual. Ao autorizar o uso do nome do cientista para integrar o nome de uma espécie, a taxonomia [...]

 

No princípio, era o jardim, então o homem – podemos pensar em Adão, em Carolus Linnaeus, em cada cientista de nossa história – principiou a tarefa de dar nomes às coisas, fazer da alteridade sua prole intelectual.

Ao autorizar o uso do nome do cientista para integrar o nome de uma espécie, a taxonomia moderna organizada por Linnaeus consagra a “paternidade” do saber sobre aquilo que virtualmente “descobre” (melhor seria dizer “sistematiza”).

Na instalação de Moscheta, feita com a colaboração de seu pai, toda essa história é colocada em suspensão, com as estantes e pastas idênticas ordenadas e vazias – à espera de centenas de etiquetas desconectadas de suas espécies – como se um deus brincalhão tivesse embaralhado todo o trabalho feito até hoje e nos desse a chance de olhar novamente o jardim lá fora como pura alteridade.

 

 

 

 

Linnaeus | instalação com 2000 tags de papel escritas à mão, alumínio, estantes de ferro, lâmpadas fluorescentes, fios elétricos, caixas poliondas e carimbos sobre papel | 300 x 300 x 270 cm

Texto | Paulo Miyada

Fotos | Rafael Dabul

2011