Rafaele Paiva | Laura Sonhou

Título: Rafaele Paiva | Laura Sonhou


ResumoComo percurso cartográfico realizado por um corpo-pesquisadora, corpo pensado como coisa no sentido que Tim Ingold (2012) dá ao conceito, um agregado de fios vitais, aconteceres ou lugares onde vários aconteceres se entrelaçam. Este corpo-coisa pesquisadora que apenas é quando em relação, desenhou coreograficamente a dissertação “Entre rastros, pulsos e torções: coreografias fabuladas em corpos e coisas no espaço escolar”, nela propôs o processo de pesquisa em forma de oficinas dentro do espaço de uma escola pública da periferia de Campinas-SP. Num devir pesquisador, as oficinas “Corpos que se atravessam” foram facilitadas pelo corpo-pesquisadora e vivenciadas na quadra da escola, no contra período das aulas. Isso porque não queria vincular as propostas a nenhuma disciplina escolar, além de preferir que os alunos estivessem lá por vontade e não obrigatoriedade. Na companhia inicial de seis alunas e um aluno, e posteriormente de apenas seis alunas, uma vez por semana durante um ano o corpo-pesquisoeducadora trocou com as alunas em oficina, oferecendo vivências de corpo, movimento e criação de frases coreográficas a partir da Técnica Klauss Vianna de dança. Este vídeo se dá como dobra de um trajeto-oficinas. Neste, são tecidos parte dos fluxos de acontecimentos pinçados das oficinas, assim como seus questionamentos. Quanto do pulsar dos corpos tornou-se impulso? Em oficina, foi possível um trabalho com as torções das lógicas do espaço escolar? Teremos nós nos atravessado em irromperes criativos? Quais as potências de retorcer mais, criar mais, abrir mais? Num arranjo entre imagens de uma coreografia construída pelos corpos-alunas e a narração de um trecho do caderno de campo do corpo-pesquisadora, de forma muito leve, quase como um sonho o vídeo se desenha. Para chegar à coreografia, o corpo-pesquisa-educadora convidou cada uma das alunas a escrever seus números de chamada no ar. Primeiro com canetas, depois só as mãos e depois com cada parte do corpo. Disso, pediu que escolhessem três formas de escrever no ar e as conectassem, construindo cada uma sua frase de movimento coreográfico. Como finalização, conectamos duas destas frases e construímos uma pequena coreografia coletiva. As coisas existem na relação. Corpo-coisa no chão, corpo-coisa no ar, corpo-coisa na dança, corpo-coisa na dança com a caneta enquanto escreve número de chamada no ar. Caneta no ar. Caneta que dança no ar. Infinitos rastros deixados, cada um atravessando e reverberando infinitos nós nos corpos coisa. Estes, por sua vez, puxam um fio ressonante que reverbera intensamente. E assim dançamos. Dançar sol, luz que atravessa corpos em movimentos de escrever no ar. Escondem rostos nos balanços de calor solar, luz ilumina e sombreia desenhos que tímidos crescem. Sol pintor de amarelos e sombreados. Sombras que desenham chão, riscos e rastros de movimentos que se fazem e refazem carne. Caneta no ar potencializa fissuras: despadrões. Já fora das mãos, mãos no ar potencializam as forças emanadas pela estada caneta. Forças emanadas a expurgarem-se em espaço, movimentos desenhando sombras que atravessavam as linhas coloridas geométricas. Chão num devir quadro, pinturas repintadas ao sol, redesenhadas em corpos. Fluxo caneta, luz, carne, chão.


 

FICHA TÉCNICA

Rafaele Paiva, graduada em Letras pela Unicamp e Mestre em Educação
pela Unicamp.

Email: oi.rafaele.paiva@gmail.com

Telefone: (19) 9 81071745 e (64) 9 93467136.

 

 

 

PAIVA,Rafaele ; Laura Sonhou. ClimaCom – A Linguagem da Contingência [online],  Campinas,  ano. 6n. 15. Ago2019 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/laura-sonhou/


SEÇÃO ARTE | A LINGUAGEM DA CONTINGÊNCIA | Ano 6, n. 15, 2019

ARQUIVO ARTE |TODAS EDIÇÕES ANTERIORES