Entrevista clínica: no encontro com o outro descobrimos modos de fazer | Eliane Regina Pereira


Eliane Regina Pereira[1]

 

Mãe, quando a gente
morre e enterra, como
vai para o céu?
Tem um cano que leva a
gente até lá?
E quando a gente morre, é
verdade verdadeira,
que a gente nunca
mais volta?

Pedro[2], 5 anos e 5 meses

 

Aprendendo a perguntar

Uma das disciplinas que tenho ministrado no curso de Psicologia chama-se Estágio Supervisionado Básico em Psicologia Clínica e Social. Esta é uma disciplina introdutória cujo foco tem sido as observações e primeiras entrevistas clínicas. A disciplina é iniciada com uma discussão teórica sobre entrevista e depois os discentes, muitas vezes nomeados aqui como aprendiz de perguntador – são convidados a observar em uma sala de espelho, a docente em processos de entrevista clínica.

Sempre me pego pensando: como ensinar a entrevistar? Os discentes sempre perguntam se é necessário ou não um roteiro. Eles desejam um roteiro estruturado, acreditando que isso ofertaria segurança para o encontro clínico. Querem saber o que observar no processo. Quais perguntas fazer. Quais perguntas são importantes.

A disciplina tem uma ementa pré-definida, mas o caminho por mim percorrido, para ensinar a observar e a entrevistar, foi sendo construído ao longo dos semestres, com experimentações diversas e a partir de discussões com os aprendizes, suas impressões e sensações que fizeram nascer ideias novas. Discussão teórica, exercícios dialógicos em sala, análise e discussão de documentários, somada a observação do docente em entrevista clínica, é o modo como tenho feito e que me pareceu capaz de deslocar os aprendizes do desejo de um protocolo pronto, um roteiro rígido, enfim de fórmulas prontas que oferecem segurança ao aprendiz mas dificilmente produzem um encontro clínico.

(Leia o ensaio completo em PDF).

 

Recebido em: 25/04/2023

Aceito em: 15/05/2023

 

[1] Universidade Federal de Uberlândia. E-mail: eliane@ufu.br.

[2] Pedro é meu filho. Decidi compor este ensaio com perguntas feitas por ele e registradas ao longo dos anos em um caderno de notas, produzindo memórias com alguns de nossos diálogos cotidianos. Acredito que as crianças são boas perguntadoras, suas questões nos deslocam, provocam nossos pensamentos.

Entrevista clínica: no encontro com o outro descobrimos modos de fazer

 

RESUMO: Este ensaio nasce da experiência como docente da disciplina de Estágio Supervisionado Básico em Psicologia Clínica e Social. Aqui, apresento reflexões sobre o processo de ensinar e aprender a entrevista clínica. Através da observação, de exercícios em sala de aula, de textos discutidos, de documentários, de dúvidas e questionamentos diversos, passamos a entender e experimentar o encontro clínico como espaço dialógico de acolhimento e abertura para a produção de novos sentidos. Um espaço comprometido com a potencialização da vida.

PALAVRAS-CHAVE: Perguntas. Roteiro. Escuta. Entrevista.


Clinical interview: in the encounter with other we discover ways of doing

 

ABSTRACT: This essay stems from my experience as a teacher of the Basic Supervised Internship in Clinical and Social Psychology. Here, I present reflections on the process of teaching and learning the clinical interview. Through observation, exercises in the classroom, texts discussed, of documentaries, doubts and various questions, we come to understand and experience the clinical encounter as a dialogical space of welcome and openness to the production of new meanings. A space committed to the potentialization of life.

KEYWORDS: Questions. Listening. Interview. Road map.


PEREIRA, Eliane Regina. Entrevista clínica: no encontro com o outro descobrimos modos de fazer. ClimaCom – Ciência.Vida.Educação. [online], Campinas, ano 10, n. 24., mai. 2023. Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/entrevista-clinica/