Aumento da invasão às unidades de conservação, desmatamentos e queimadas estão destruindo biomas | Gláucia Pérez

Para que as florestas e matas sejam resistentes às mudanças climáticas é necessário um plano adequado para o manejo e preservação dos biomas que combatam desmatamentos, queimadas e invasões às unidades de conservação que estão cada vez mais frequentes.

Por Gláucia Pérez

Editora Susana Oliveira Dias

 

No artigo “Desmatamento, fogo e clima estão intimamente conectados na Amazônia” publicado na revista Ciência e Cultura, de 2019, as pesquisadoras Margareth Copertino, Maria Teresa Fernandez Piedade, Ima Célia Guimarães Vieira e Mercedes Bustamante nos alertam que apesar da floresta amazônica ser resistente ao fogo devido a sua alta umidade do solo e ar, a ação humana através do desmatamento e queimadas têm alterado essa resistência. De acordo com elas, desde a década de 60, quando houve incentivo à ocupação da região norte do país, o desmatamento e as queimadas aumentaram. Diante desse cenário, “os cientistas continuam sendo vozes que veiculam as evidências científicas que deveriam dar suporte às políticas públicas e apontam as inconsistências e os impactos da redução da proteção ambiental sobre vários aspectos de nossa vida”, ressalta Mercedes, que é pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do INCT Mudanças Climáticas, Fase 2.

 

Imagem | Gláucia Pérez

 

O estudo apresenta ainda a importância da biodiversidade da floresta e o seu potencial de regular o clima do país e até mesmo do planeta através dos rios voadores. Com a evapotranspiração, as árvores da floresta formam nuvens que trazem chuvas para a Amazônia e para as regiões centro-oeste, sudeste e sul do país. Mas com o aumento do desmatamento e das queimadas essa troca de umidade é alterada e a formação das nuvens prejudicada, consequentemente ocorre a diminuição das chuvas na região amazônica, e o aumento de tempestades na região sul e sudeste do país. O estudo acrescenta que devido a essas alterações os ecossistemas da Amazônia oriental, sul e central com o tempo não serão mais de floresta, mas possivelmente de uma região de “vegetação aberta, em um processo denominado de savanização”.

Outro ponto que o estudo considera é que apesar da floresta amazônica ser capaz de estocar carbono na biomassa, no período de 2003 a 2014 foi constatado que a emissão de carbono na atmosfera foi maior do que a absorção pelas florestas tropicais do mundo; na América Latina, e em especial o Brasil, ocorreu a maior liberação de gases de efeito estufa no mundo.

Mercedes alerta: “A redução da cobertura da floresta impacta outros importantes ciclos biogeoquímicos, como o ciclo hidrológico e a biodiversidade. Em tempos de pandemia, é importante relembrar as relações entre desmatamento e propagação de novas e de conhecidas doenças”.

Imagem | Gláucia Pérez

 

Considera-se que a resistência da floresta às mudanças climáticas depende de um plano adequado e eficaz para o manejo e preservação da região. Para isso é necessário que esse plano seja executado pelo poder público, o que infelizmente não vem ocorrendo.

Invasões às áreas demarcadas e protegidas

O artigo “As várias faces das ameaças às áreas de conservação no Brasil” também da revista Ciência e Cultura, de 2020, os pesquisadores Ricardo Bomfim Machado, Manuela Carneiro da Cunha, Ludmilla Moura de Souza Aguiar e Mercedes Bustamante apresentam essa falta de incentivo de proteção aos biomas e até mesmo a invasão as áreas de preservação e unidades de conservação como parques e reservas florestais.

Apesar de existirem leis para proteger os biomas, como ressaltam os pesquisadores, representantes do executivo e legislativo têm encontrado maneiras de não respeitar a lei, infringindo e ocupando áreas demarcadas e protegidas. As justificativas utilizadas para essa invasão são infundadas, pressupõem que a preservação dessas áreas impede o desenvolvimento do país, e por exemplo as atividades turísticas das regiões.

Fonte: Coalizão Ciência & Sociedade

 

O artigo denuncia o abuso de poder ao infringir leis de conservação ambiental e ao não considerar a importância dessas áreas para o patrimônio público, a economia, e para o desenvolvimento com sustentabilidade e bem-estar para a sociedade do país. (Link com a notícia completa em pdf)

 

Gláucia Pérez é bolsista TT Fapesp no projeto INCT-Mudanças Climáticas Fase 2 financiado pelo CNPq pro- jeto 465501/2014-1, FAPESP projeto 2014/50848-9 e CAPES projeto 16/2014, sob orientação de Susana Dias e Antonio Carlos Amorim.

Coletivo e grupo de Pesquisa | multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações (CNPq)

Projetos | Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) – (Chamada MCTI/CNPq/Capes/FAPs nº 16/2014/Processo Fapesp: 2014/50848-9); Revista ClimaCom: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/ e Revista ClimaCom.