Cenários especulativos: fazendo do território uma mesa de trabalho (Oficina 4)

Título: Cenários especulativos: fazendo do território uma mesa de trabalho (Oficina 4)


Longe de ser algo estável, o território emerge como um plano variável, onde o ethos do homem se refaz a cada encontro, a cada conexão é posto em comunicação efetiva com o mundo. Entendemos o território como um campo experimental de qualidades metaestáveis e profundamente moduláveis, onde o hábito é uma passagem de baixa aderência e o problema se instaura na criação de modos de habitar sempre outros. Habitamos o território nomádica e intempestivamente, o que faz da possibilidade de uma nova terra um germinar constante e ilimitado no singular da matéria que pisamos a cada passo. Diante de uma percepção de hábito que julga, contrapõem-se novos modos de habitar o território, novos modos de habitar o papel, a escrita, a expressão. Dispor-se em mesas de trabalho onde cenários especulativos como territórios por vir possam ganhar existência.


4. Oficina: Livro-território-aberto

Atravessados pela catástrofe, por aquilo que nos tira de uma posição aparentemente fixa e segura, seja na mais intempestiva das experiências, ou no drama-miséria dos homens cegos pelo poder, espirrando tristezas – como continuar… continuar vivos… -, impõe-se a pergunta por estar junto, pela criação de comuns. Estar-com é ato de resistência, estar-presente-com-o-outro uma necessidade vital. Não sabemos onde começa ou termina um livro, como máquina abstrata que arrasta fulgurações de vida entre grafos estartalados no papel; entre sentidos gagueja linhas-derivas de corpos entrecruzados. Corpos-palavra, corpos-desenho, corpos-imagem, corpos-colagem… Livro-território-aberto, frágil, vulnerável, costura de  retalhos-mundo. Superfície-relevo, dobra de heterogêneos. Livro comum, de todos e de ninguém, sem assinatura, pura assinatura de mundo. Mundo qualquer, mundo-modo estando junto. Escrita-linha (que) solta, de mão-solta nem minha nem tua. Mão-automata escorregando escritas, costurando derivas. Redemoinho de linhas saltando a escrita. Espiral do (sem)-sentido, vertigem de compartilhando uma correnteza sentir-se vivo. Transe de mão-nossa costurando, dando linha a um corpo-livro.Oficinas ministradas como parte da disciplina de pós-graduação “Literatura, Cultura e Sociedade” (Labjor/IFCH/Unicamp)

Ementa: A disciplina abordará problematizações que se fazem nas interfaces entre literatura, comunicação, antropologia, arte e filosofia, para pensar as potencialidades da escrita e tensionar as oposições entre real-ficção, verdadeiro-falso, objetividade-subjetividade, pesquisa-escrita etc. Exploraremos autores que tratam a literatura como campo de experimentação do humano e da vida, como potência de cura, como política de minoridade. Autores que se propõem a pensar “com” a literatura e não “como” a literatura, o que implica inventar um modo de pensar que não está dado, em pensar a literatura mesma pelas novas forças que ela é capaz de mobilizar, reunir, compor. Neste semestre, a disciplina abordará a crise de pensamento e de modos de existência que vem sendo diagnosticada em diversos campos do conhecimento: “niilismo” e “esgotamento” (PELBART, 2013), “crise da natureza” (LATOUR, 2013), “aceleracionismo” e “extinção do humano” (DANOWSKY; VIVEIROS DE CASTRO, 2014), “redução à impotência” e “intrusão de Gaia” (STENGERS, 2003, 2014, 2015). Investiremos em disjunções e contaminações entre literatura, comunicação, antropologia, arte e filosofia que deem a pensar o acontecimento da escrita (com imagens, palavras e sons), trabalhando com conceitos como cosmopolítica, mundo comum, outrem, devir e fabulação.



 

Concepção, organização e fotografias: Susana Dias, Fernanda Pestana e Sebastian Wiedemann

Participantes: Adriana Rodrigues, Caue Nunes, Daniel Ribeiro, Darly Gonçalves, Jaqueline Galvis, Larissa Ferreira, Marina Cunha, Marília Reis, Paula Montanari, Paula Batista, Ricarda Canozo, Rodrigo Marcondes, Sebastian Wiedemann, Tássia Aguiar, Vivian Pontin.

 

Projetos: Mudanças climáticas em experimentos interativos: comunicação e cultura científica (CNPq No. 458257/2013-3); Sub-projeto “Sub-rede Divulgação científica” da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (convênio FINEP/ Rede CLIMA 01.13.0353-00).

 

Data: 27/04