ANO 06 - N15 - "A Linguagem da Contigência" ISSN 2359-4705

CHAMADA | BUSCA E OUTRAS EDIÇÕES


Marli Wunder | Casa Planta – a oficina

Título: Marli Wunder | Casa Planta – a oficina 


Nesta oficina a artista Marli Wunder compartilha seus processos de criação da exposição Casa Planta, que aconteceu em novembro de 2018 na Casa das Árvores do Centro Cultural de Barão Geraldo, em Campinas, e convida a:

“Bordar, pintar, dobrar, compor
Fotografar, raspar, cortar, desfiar, rasgar, desenhar
debruçar-se lentamente por superfícies
esperar por um sopro de luz
por uma fresta do tempo
tatear e penetrar
desorganizar as reentrâncias da forma
emaranhar-se e perder-se
na rede frágil de fios
de luzes e sombras
mergulhar em suas encostas
na dobra silenciosa
subverter a matéria
na composição intensa
criar inominável forma
desentranhar tempos
umedecer o olhar
ofertar ondas sonoras
ondulações, intestinos e entranhas
intimidade que desafia as cores
evanescências, danças de transparências

traços e linhas a bordar superfícies de luz e fogo
delgados corpos a dançar
horizontes em promessas fluidas líquidas
bailados entre fogo, farpas e raspas
dança do silêncio
linhas de força conectadas umas às outras
não buscam uma forma
buscam encontrar vizinhanças
árvores entre mulheres
mulheres entre plantas
fragilidade entre vida
criação sempre inacabada
movimento vivo
contínuo fluxo
transformador da própria obra
tudo varia e a vibração é sempre vegetal
devir-planta passa pela linha tênue
mistura formas e produz sensações
não há separação entre vida e obra
há contágios vegetais
segredos vegetais”

Poema coletivo: Marli Wunder, Alik Wunder, Susana Oliveira Dias, Alda Romaguera e Amanda Leite

 


FICHA TÉCNICA

Concepção da oficina |Marli Wunder, artista.

Participantes e criações | Gláucia Perez, Carolina Avilez, Rafael Ghiraldeli, Luciana de Souza, Jaqueline Medeiros, Marília Costa, Mariana Vilela e Gabriela Rodrigues, Susana Dias, Alice Dalmaso, Mauro Tanaka, Rodrigo reis Rodrigues, Maria Cortez Salviani, Marli Wunder e Carolina Bernardes.

Fotos | Susana Dias

Lugar | Praça da Paz Unicamp

Data | 28 de agosto de 2019


68985570_2652330471458466_6545339372361744384_n

Esta atividade fez parte da proposta da disciplina “Arte, ciência e tecnologia” – MDCC-Labjor-IEL-Unicamp segundo semestre de 2019 no Encontro 1 – “Devir criança-animal-elemental-traidor”, dentro da série de encontros “Ecologias de Devires: do chamado a fazer-perceber floresta” organizado pelo Grupo multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações.

Disciplina: JC012 Arte, ciência e tecnologia

Professora – Dra. Susana Dias

Esta série de encontros está sendo proposta no âmbito da disciplina “Arte, ciência e tecnologia” onde o problema que nos interessa pensar é o de entrar em comunicação com um mundo todo vivo, com uma matéria viva, ativa e criativa (DELEUZE & GUATTARI, 1997; STENGERS, 2017; EZCURDIA, 2016; DADA & FREITAS, 2018). Seguiremos neste semestre com a ideia de pensar o que pode ser comunicar em parceria com a floresta, propondo encontros com diversos lugares, materiais e práticas para que possamos aprender com diferentes ofícios a como ganhar intimidade com as florestas. Uma das questões que a floresta suscita de interessante para pensar é o fato de reunir uma diversidade de seres-coisas-forças-mundos e propiciar condições para encontros, com a possibilidade de gerar co-evoluções, co-criações. Nessas co-evoluções-criações estão sempre envolvidas ecologias de devires (negro, índio, animal, vegetal, criança, fungo, máquina, pedra, animal, linha, luz, elemental, cósmico…), a chance de que sejamos afetados e afetemos, de que nos engajemos em movimentos de alegre imbricação recíproca com as minorias, com os não-humanos, com tudo o que pode potencializar o pensamento e a relação com a Terra. Nesse sentido os encontros foram pensados em blocos de devires e neste primeiro encontro teremos o “Devir-criança-animal-elemental-traidor”. Os encontros, e os exercícios de composição sensível entre heterogêneos que serão feitos depois, buscam dar vigor ao chamado de pensar a comunicação como um perceber-fazer-floresta. Uma fé na “instauração” (SOURIAU, 2017; LAPOUJADE, 2017) de toda uma sensibilidade de outra natureza, que permita criar um campo problemático potente para lidar com as dualidades sujeito-objeto, realidade-ficção, humanos-não-humano, matéria-espírito. Uma atenção ao gestos que mobilizam uma “lucidez alegre” (STENGERS, 2017) e que não nos relegam à impotência, afirmando uma vitalidade e confiança no presente e futuro diante destes tempos desafiadores (DANOWSKI & VIVEIROS DE CASTRO, 2014; STENGERS, 2015; LATOUR, 2019).

Bibliografia

DADA, Faseyi Awogbemi; FREITAS, Glória. Dialogando com a semente de obi ou a floresta: um convite para conhecer um pouco da nossa tradição religiosa e cultura Yoruba. ClimaCom – Diálogos do Antropoceno [online], Campinas, ano. 5, n. 12. Ago. 2018 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=9478
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 4. Trad. de Suely Rolnik. São Paulo: Ed. 34, 1997, pp. 11-113. (Coleção TRANS).
EZCURDIA, José. Cuerpo, intuición y diferencia em el pensamento de Gilles Deleuze. Ciudad de México: Editorial Ítaca, 2016.
DANOWSKI, Débora; CASTRO, Eduardo Viveiros de. Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. Desterro [Florianópolis]: Cultura e Barbárie: Instituto Socioambiental, 2014.
LAPOUJADE, David. As existências mínimas. São Paulo: n-1, pp. 43-59, 2017.
LATOUR, Bruno. Bruno Latour: “O sentimento de perder o mundo, agora, é coletivo”. [Entrevista concedida a] Marcs Basset. El País, 31 de março de 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/…/internac…/1553888812_652680.html Acesso em: mar. 2019.
SOURIAU, Étienne. Los diferentes modos de existencia/ Étienne Souriau: prefácio de Bruno Latour; Isabelle Stengers. Trad. Sebastian Puente. 1a. ed.. volumen combinado. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Cactus, 2017.
STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes: resistir à barbárie que se aproxima. Trad. Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naif, 2015, pp. 91-99.
STENGERS, Isabelle. Reativar o animismo. Trad. Jamile Pinheiro Dias. Belo Horizonte: Chão de Feira. (Caderno de Leituras No. 62). 2017. Disponível em: https://chaodafeira.com/…/2017/05/caderno-62-reativar-ok.pdf Acesso em ago. de 2019.


Projetos:

– Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) – (Chamada MCTI/CNPq/Capes/FAPs nº 16/2014/Processo Fapesp: 2014/50848-9)

– “Por uma nova ecologia das emissões e dissemina ções: como a comunicação pode modular a mais intensa potência de existir do humano diante das mudanças climáticas?” (CNPq).

– Revista ClimaCom: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/

IMG_8542

Obras de Marli Wunder

Criações dos participantes

 

WUNDER, Marli. Casa-Planta. ClimaCom – A Linguagem da Contingência [online],  Campinas,  ano. 6, n. 15. Ago. 2019 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/casa-planta-a-oficina/

 


SEÇÃO ARTE | A LINGUAGEM DA CONTINGÊNCIA | Ano 6, n. 15, 2019

ARQUIVO ARTE |TODAS EDIÇÕES ANTERIORES