Às margens do Brasil: modos de vida caiçara e o ensino de ciência | Kátia Luiza Kraemmer, Camilo Silva Costa, Michele de Souza Fanfa e Caroline Martello


Kátia Luiza Kraemmer[1]

Camilo Silva Costa[2]

Michele de Souza Fanfa[3]

Caroline Martello[4]

 

Você não pode se esquecer
de onde você é
e nem de onde você veio,
porque assim você sabe quem você é
e para onde você vai
(KRENAK, 1999, p. 27)

 

Saberes populares e o currículo de ciências

Uns chamam de cultura caiçara, outros de cultura marítima, comunidade pesqueira ou apenas povos do mar. Independentemente da nomenclatura, é inegável que os povos tradicionais apresentam particularidades e riquezas em relação a seus costumes e vivências. Os 7.491 km de costa ao longo dos 26 estados brasileiros revelam uma diversidade cultural constituída de caiçaras, quilombolas e indígenas, muitos vivem nestas regiões há várias gerações e, sobrevivem especialmente do mar, entre caça e pesca, mas também do artesanato e, mais recentemente, do ecoturismo.

A extensa faixa litorânea brasileira, utilizada pelo turismo e especulação imobiliária, em especial atividades econômicas como portuária e pesqueira, ainda apresenta, apesar da forte resistência, uma diversidade de povos tradicionais.

Nesse sentido, alinhavamos com as perspectivas a cultura do povo caiçara, definida por Antonio Carlos Diegues (fundador do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras da Universidade Estadual de São Paulo – Nupaub/USP) como um modo de vida em um tempo onde as pessoas eram abraçadas pela natureza, e a abraçavam. Trata-se de uma população constituída da mistura de povos indígenas, negros e europeus (ALMEIDA; GOBI; RODRIGUES, 2017), e pode-se dizer que foram os primeiros brasileiros a povoar esse continente.

(Leia o ensaio completo em PDF)

 

Recebido em: 25/04/2023

Aceito em: 15/05/2023

 

[1] Universidade Federal de Santa Maria. Email: katialuiza997@gmail.com
[2] Universidade Federal de Santa Maria. Email: camiloscost4@gmail.com
[3] Universidade Federal de Santa Maria. Email: fanfami@gmail.com
[4] Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Email:
carolinemartello@gmail.com

Às Margens do Brasil: Modos de vida caiçara e o ensino de ciências 

 

RESUMO: O modo de vida caiçara, como demais povos tradicionais, apresenta particularidades em relação a seus costumes e vivências. Neste contexto, apresentamos neste ensaio nossas inquietações em relação ao silenciamento de culturas postas às margens da sociedade. Para compor com nossas perspectivas, convocamos diferentes vozes, para tecer um movimento de questionamento-sugestão, quanto a possível inserção dessas culturas nos currículos escolares, através do ensino de ciências.  No decorrer da escrita posicionamo-nos criticamente em relação à supremacia da ciência moderna, dando-nos conta da imensidão representativa de demais culturas.  

 

PALAVRAS-CHAVE: Cultura caiçara. Pluralidade. Currículo escolar. Ensino de Ciências. Saberes populares.


On the Shores of Brazil 

 

ABSTRACT OU RESUMEN: The caiçara way of life, like other traditional peoples, presents particularities in relation to their customs and experiences. In this context, this essay presents our concerns regarding the silencing of cultures placed on the margins of society. To compose with our perspectives, we summoned different voices, to weave a movement of questioning-suggestion, regarding the possible insertion of these cultures in the school curricula, through the teaching of sciences. During the writing, we position ourselves critically in relation to the supremacy of modern science, realizing the representative immensity of other cultures. 

 

KEYWORDS: Caiçara culture. Plurality. School curriculum. Science teaching. Popular knowledge. 


KRAEMMER, Kátia Luiza; COSTA, Camilo Silva; FANFA, Michele de Souza; MARTELLO, Caroline. Às margens do Brasil: modos de vida caiçara e o ensino de ciência. ClimaCom – Ciência.Vida.Educação. [online], Campinas, ano 10, n. 24., mai. 2023. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/as-margens/