Adaptação às mudanças climáticas no Brasil: complexidade, incertezas e estratégias existentes | Sonia Maria Viggiani Coutinho; Ivan Carlos Maglio; Amanda Silveira Carbone; Eduardo Alves Neder


Sonia Maria Viggiani Coutinho [1]

Ivan Carlos Maglio [2]

Amanda Silveira Carbone [3]

Eduardo Alves Neder [4]

 

Cenário atual em perspectiva

O mundo contemporâneo, em um cenário de mudanças climáticas, demonstra-se cada vez mais intrincado de relações dos mais diversos níveis – local, regional e global; e nas dimensões – social, ambiental, econômica e cultural, exigindo produção do conhecimento e governança de conformações diferentes. A ciência vem demonstrando que o paradigma até então dominante não é suficiente para abarcar a complexidade dessas relações.

Apesar de todo o conhecimento hoje reunido sobre os impactos das alterações climáticas, devem ser destacadas a complexidade e as incertezas sobre a vulnerabilidade e riscos potenciais, em relação às estratégias de adaptação climática para as grandes cidades brasileiras. É clara a necessidade emergencial de redução da vulnerabilidade e a antecipação de problemas previsíveis, com a adaptação entendida como um processo de ajustamento preventivo das cidades para enfrentar os impactos adversos das mudanças climáticas que resultam na redução da vulnerabilidade (IPCC, 2007). São necessários, além de planos e políticas sob a lógica das práticas tradicionais de governança, processos de planejamento antecipatórios e preventivos (Torres e Braga, 2019), que envolvam processos participativos.

Em 2015, os países tiveram uma nova oportunidade de adotar a agenda de desenvolvimento sustentável e chegar a um acordo global sobre as mudanças climáticas. As ações tomadas resultaram na definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em particular, para a sustentabilidade das cidades para torná-las humanas, inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis – Objetivo 11, e para ação contra a mudança global do clima – Objetivo 13 (ONU, 2015).

Ações voltadas às questões ambientais, segundo a Constituição Federal, a Política Nacional de Meio Ambiente – PNMA (1981) e o Plano Nacional de Adaptação – PNA (2016), devem se dar por meio de integração de políticas, considerando os diversos níveis de governo, setores e as características territoriais que ultrapassam as fronteiras de estados e municípios.

Em 2018, o IPCC avaliou os impactos do aquecimento global de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e das trajetórias globais de emissão de gases estufa, no contexto do fortalecimento da resposta global à ameaça do clima, desenvolvimento sustentável e esforços para erradicar a pobreza, consistentes com a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris. São apresentadas orientações para atender ao limite de 1,5ºC, destacando-se entre outras, diretrizes de adaptação para o Planejamento Urbano, Infraestrutura e Transporte, Edifícios e Eletrodomésticos, Uso do Solo Resiliente ao Clima, Infraestrutura Urbana Verde e Serviços (IPCC, 2018).

 

(Leia o artigo completo em PDF).

 

Recebido em: 20/03/2021

Aceito em: 15/04/2021

 

[1] Doutora em Ciências e Pesquisadora Colaboradora do Instituto Estudos Avançados – IEA/USP E-mail: scoutinho@usp.br

[2] Doutor em Saúde Pública e Pesquisador Colaborador do Instituto Estudos Avançados -IEA/USP E-mail: ivmaglio@gmail.com

[3] Doutora em Ciências e Pós-doutoranda no Instituto Estudos Avançados -IEA/USP E-mail: amandascarbone@gmail.com

[4] Mestre em Ciências (Ambiente, Saúde e Sustentabilidade) pela Faculdade de Saúde Pública da USP E-mail: eaneder@gmail.com

Adaptação às mudanças climáticas no Brasil: complexidade, incertezas e estratégias existentes

 

RESUMO: A complexidade e as incertezas do mundo contemporâneo exigem produção do conhecimento e governança de conformações diferentes capazes de abarcar a complexidade dessas relações. Há clara necessidade de redução de riscos e antecipação de problemas previsíveis, indicando que a adaptação deve ser entendida como um processo de ajustamento antecipatório aos impactos adversos das mudanças climáticas que resulta na redução da vulnerabilidade. As cidades apresentam potencial de contribuição para enfrentar este quadro, podendo desenvolver iniciativas inovadoras para adaptação a eventos climáticos, devido à sua infraestrutura e aproximação dos diversos atores sociais. Este artigo, portanto, pretende refletir sobre estas questões, buscando ilustrar caminhos já percorridos por meio de estratégias existentes.

 

PALAVRAS-CHAVE: Mudanças Climáticas. Adaptação. Brasil.


Adaptation to climate change in Brazil: complexity, uncertainties and existing strategies

 

ABSTRACT: The complexity and uncertainties of the contemporary world require production of knowledge and governance in different configurations capable of encompassing the complexity of these relationships. There is a clear need to reduce risks and anticipate foreseeable problems, indicating that adaptation should be understood as a process of anticipatory adjustment to the adverse impacts of climate change that results in the reduction of vulnerability. Cities have the potential to contribute to tackling this situation, being able to develop innovative initiatives to adapt to climatic events, due to their infrastructure and the approximation of different social actors. This article, therefore, intends to reflect on these issues, seeking to illustrate paths already taken through existing strategies.

 

KEYWORDS: Climate change. Adaptation. Brazil.

 


COUTINHO, Sonia Maria Viggiani. MAGLIO, Ivan Carlos. CARBONE, Amanda Silveira. NEDER, Eduardo Alves. Adaptação às mudanças climáticas no Brasil: complexidade, incertezas e estratégias existentes. ClimaCom – Coexistências e cocriações [Online], Campinas, ano 8, n. 20,  abril.2021. Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/adaptacao-as-mudancas-climaticas/