ANO 05 - N12 - "Dialogos do Antropoceno" ISSN 2359-4705

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Para além da sala escura: vídeo-intervenção

TÍTULO: Para além da sala escura: vídeo-intervenção


A aposta na experimentação artística com produções audiovisuais que apontem para possibilidades de revelar multi-versões de mundo se dá aqui por meio da oficina de formação em cinema para professoras/es da rede municipal de Campinas. A oficina Para além da sala escura atenta para as claridades da escola a fim de provocar uma fissura nas maneiras convencionais de produzir/exibir filmes. As claridades presentes na escola são mote criativo que desafiam a escuridão proposta pela arquitetura da sala de projeção tradicional. As oficinas consistem em provocar cada participante a inventar imagens que são posteriormente exibidas em locais claros da escola por meio de projeções experimentais que funcionam como intervenções no espaço escolar que vão se transformando quando se hibridizam com as camadas de imagens projetadas sobre as superfícies de locais físicos da escola. Sendo assim, uma das perguntas que nos orienta é “o que pode a escola e o cinema quando a sala não é escura?”. O desafio aqui proposto é gerar condições mais ampliadas para o encontro entre cinema e escola ao tencionar a necessidade de um ambiente escuro para que o cinema se realize como espectação. Lidamos então com a ideia de cinema expandido proposta por Michaud (2014), que se configura como um sistema de imagens que arrasta para si elementos diversos que não se limitam ao campo da linguagem cinematográfica. Fotografias, desenhos, pinturas, coisas diversas se conectam à extremidade do filme através de outras ambientações que colocam em jogo diversificados meios de espectação que tiram os espectadores de seu lugar de contemplação para provoca-los quanto à sua participação e os convidando a contribuir com as obras, reinventando-as. A expansão de uma ideia mais ampla de cinema se dá no “entre”, nas fronteiras das linguagens artísticas que lidam com a imagem provocando descontinuidades e desorganizações nos sentidos. Uma imagem nunca está só. O que conta é a relação  entre imagens, diz Deleuze (1992). Trata-se de instaurar uma visualidade sensorial que instaure “outros modos de entendimento e de apropriação do mundo, modos de saber essencialmente corporais e não-hermenêuticos” (Gonçalves, 2014, p.15), constituindo um sistema de imagens e sons que se configuram em “modos de sentir e pensar que se produzem no cruzamento, na contaminação entre diversas artes e linguagens” (Gonçalves, 2014, p. 10). É na invenção de outras maneiras de ver que se coloca a tentativa de avizinhar outras coisas, imagens, pensamentos e sons que não se encontram no plano fílmico, mas que passam por outros canais sensórios do corpo.

Bibliografia:

GONÇALVES, O. Introdução. Gonçalves, Osmar (org.). Narrativas Sensoriais. 1ª ed. – Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2014, pp. 9-25.

DELEUZE, Gilles. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

MICHAUD, Philippe-Alain. Filme: por uma teoria expandida do cinema.  1ª ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

 

 

 


 

FICHA TÉCNICA

Concepção e coordenação: Marina Mayumi

Participantes do minicurso “Para além da sala escura” no 21º COLE – Leituras Dissonantes, julho de 2018 na Faculdade de Educação da Unicamp.

O vídeo foi feito durante a oficina e usado nas intervenções nos arredores da Faculdade de Educação da Unicamp.


Ementa do minicurso:  “Para além da sala escura”

A existência de claridade desafia a exibição de produções audiovisuais, que instituídas dentro da lógica do cinema tradicional, dependem do contraste com a escuridão. Este minicurso visa a experimentação com imagens e sons através da criação de videoinstalações em locais onde há luminosidade. A videoinstalação propõe a interação entre imagens, sons, corpos e lugares, explicitando a universidade como lugar atravessado por trajetórias humanas e não-humanas que se constituem e negociam devires outros em cada uma delas. Durante o minicurso usaremos nossas câmeras e inventaremos filmes a partir de dispositivos de criação para depois pensarmos em possibilidades de intervenção com imagens e sons no espaço público por meio de um projetor portátil.

 


 

 

 

MAYUMI, Marina. Para além da sala escura: vídeo-intervenção (minicurso). ClimaCom – Diálogos do Antropoceno [online], Campinas, ano.  5, n. 12. Ago. 2018 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=9642


 

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