ANO 03 - N07 - "Incerteza" ISSN 2359-4705

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Dossiê Interdisciplinaridade – chamada aberta

A revista ClimaCom Cultura Científica – pesquisa, jornalismo e arte convida à submissão de artigos, resenhas e produções artísticas e culturais para o seu décimo dossiê, a ser publicado no dia 15 de dezembro de 2017.

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Dossiê Interdisciplinaridade – chamada aberta

Dossier “Interdisciplina” – convocatoria para publicaciones

Esta aberta a chamada para o décimo terceiro dossiê da ClimaCom com o tema Interdisciplinaridade | Interdisciplina, que será editado por Bianca Vienni Baptista, professora da Universidad de la República Uruguay/ Leuphana University of Lüneburg. A submissão de artigos, ensaios, resenhas e produções artísticas pode ser feita até o dia 15 de outubro de 2018 por meio eletrônico para climacom@unicamp.br. O dossiê será publicado no dia 15 de dezembro de 2018.

Leia a proposta do dossiê:

“É possível que a interdisciplinaridade se coloque à disposição do desenvolvimento? É razoável que um esforço como o trabalho interdisciplinar – que implica mudanças nos aspectos institucionais, culturais, políticos e educacionais – objetive resolver os problemas enfrentados pelo desenvolvimento? Com que propósito seria apropriado para a interdisciplinaridade enfrentar essa tarefa?

Embora exista uma ampla literatura científica dedicada a pensar a especificidade da interdisciplinaridade sob diferentes ângulos, vale a pena perguntar se isso levou a uma fundamentação mais substantiva de tal prática na América Latina.

O que parece acontecer é que ainda falta uma reflexão que integre o contexto da produção de conhecimento interdisciplinar com as características de nossos países. Valeria a pena uma breve pesquisa para observar se o desenvolvimento dos temas e reflexões em torno da interdisciplinaridade é diversificada no continente. Com quais objetivos se busca alcançar uma prática mais interdisciplinar?

Propomos a seguinte resposta: (i) a interdisciplinaridade pode responder aos problemas de desenvolvimento pois em sua definição contém a premissa de enfrentar problemas multidimensionais e não estruturados; e (ii) buscar responder aos problemas de desenvolvimento implica pensar no contexto no qual fazemos ciência e, especificamente, praticamos a interdisciplinaridade.

A pergunta que nos guia pode então ser enunciada da seguinte maneira: a produção de conhecimento interdisciplinar – ou transdisciplinar – pode melhorar o funcionamento da ciência ao:

1. incorporar novos modos de conhecimento?

2. construir uma sociedade mais democrática?

3. atender às demandas sociais?

Pode-se partir de definições amplas ou restritas de interdisciplinaridade. Mas nem tudo é interdisciplinar, nem a interdisciplinaridade serve para tudo. Neste jogo de palavras, há uma certa verdade: a interdisciplinaridade requer rigor científico e nem todos os problemas exigem uma abordagem interdisciplinar. Também porque os contextos em que praticamos a interdisciplinaridade são diversos, às vezes os chamamos de periféricos, outras vezes são interstícios entre diferentes áreas de pesquisa e/ou criação artística.

Taxonomizar essas práticas requer conceitos e critérios que tornem as categorias mais flexíveis, isto é, que possam ser transformadas do mesmo modo como os resultados ou as produções são modificadas dentro de um projeto interdisciplinar.

O que nos perguntamos e resulta no foco desta Chamada para a ClimaCom é qual é a especificidade da interdisciplinaridade em diferentes âmbitos na América Latina. Repetimos: com que objetivo busca-se uma prática mais interdisciplinar?

Desde nossa perspectiva, diríamos que essas práticas e novos modos de pensar podem guiar a resolução dos problemas de desenvolvimento, entendidos no âmbito dos países da América Latina. O desenvolvimento definido como a melhoria da qualidade da vida material e espiritual das pessoas, consideradas como agentes e não como pacientes, como propõe Amartya Sen. Pensar em termos de (auto) desenvolvimento sustentável, no qual a auto-sustentabilidade do processo relaciona-se com o ambiental, com o conhecimento necessário para enfrentar os múltiplos problemas que afetam os seres humanos e, ainda, com as condições sociais.

Podemos modificar as periferias e os regionalismos fazendo uso de práticas interdisciplinares? Como superar a fragmentação de visões em torno do desenvolvimento? Como podemos descentralizar as periferias nas quais produzimos conhecimento acadêmico?

Tendo essa definição em mente, parece possível fazer a seguinte questão: a interdisciplinaridade é então um regionalismo emergente, em ascendência? Embora ainda existam países em nosso continente que não possuem políticas públicas que mencionem expressamente a interdisciplinaridade como elemento central, existem outros que o fazem, como o Uruguai e a Argentina, por exemplo. Seguindo essa linha de reflexão, a interdisciplinaridade como política: (i) envolve um certo nível de autoridade nacional (universidades latino-americanas como exemplo), (ii) designa uma região geográfica, que ainda não é explícita como tal, mas que abarca a Argentina, passando pelo Caribe e integrando os Estados Unidos como centros que promovem a produção de conhecimento interdisciplinar e (iii) se referem a uma política educacional no Ensino Superior, exemplos do que procuramos integrar neste número de ClimaCom.

Com essa Chamada, buscamos estimular a reflexão daqueles que têm trabalhado a temática interdisciplinar em busca de respostas para o desenvolvimento, a partir de estudos de caso concretos e específicos. Queremos repensar os conflitos e as dificuldades que isto implica, valorizando a experiência desenvolvida em cada contexto, periferia ou interstício.

Essa modesta tentativa reabre a discussão em um âmbito onde as definições e conceitualizações importam e determinam as ações concretas. A reflexão sobre a prática não deixa de ser uma área onde as disciplinas, as artes, o conhecimento podem ser reposicionados e retomar as considerações sobre como fazer ciência”.

Bianca Vienni Baptista – Editora

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