ANO 04 - N10 - "Cosmopolíticas da imagem" ISSN 2359-4705

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Mani(n)festações

TÍTULO: Mani(n)festações


RESUMO: Bandos heterogêneos gritaram nas ruas, picharam nas paredes uma multiTÃO de palavras de ordem, enigmas, protestos e juras de amor. Um desses gritos invocava: “O gigante acordou!”. Os mais afobados, aqueles que queriam logo explicar a loucura que tomava as ruas – pois é da razão a promessa de submeter em rédeas a loucura fulgurante – insistiam que os profetas se referiam àquele hino que mencionava a existência de um gigante que estava adormecido eternamente em berço esplêndido, finalmente havia acordado. Outros, não menos afoitos, pensavam em berços, preocupados, que os gigantes trariam caos e perturbariam a ordem civilizatória. Outros, ainda mais apocalípticos, lembravam-se de sussurros esquecidos e viam o próprio fim desmedido e sem sentido, o caos em sua personificação irracional. Outros, esses mais otimistas, pensavam que acordar na verdade era romper as correntes, o gigante que se levantava trazia consigo o nascer de um novo mundo. Mas de toda forma, todos eles se adiantaram à história, e queriam fazer a narrativa desse acontecimento, antes mesmo do próprio acontecimento. Nós, do grupo multiTÃO, gostaríamos de tomar outros caminhos. Ao ouvir as palavras que emergiram e marcaram as ruas do Brasil e do mundo desde junho de 2013, preferimos ouvir as ambiguidades, imperfeições, desmedidas. Se a palavra pode anunciar o futuro, se a visão pode deslumbrá-lo não é para definir um fato, mas para dizer de um impossível caduco, um impossível que não o é por não poder acontecer, mas de um impossível que pela multiplicidade, pela sua infinidade, não pode ser dito, ou restringido pela palavra. Investimos em experimentações com imagens que não sejam uma espécie de espelho, nem relato, descrição ou explicação. Mas percepções das multidões que se espalham nas ruas, em blocks, salgadinhos, bandeiras, pintados, periferias, amores e desilusões. Não se trata de se adiantar à história, pois não é uma história que queremos fazer, mas povoar e ser povoado pelas ruas e abrir uma experimentação a uma manifestação das próprias imagens. Também não se trata de dar voz, mas de fazer uma polifonia, multiplicar as vozes. E deixar para o próprio ruído a força do acontecimento. Este foi o projeto que agitou o grupo em 2014, no qual deixamos para a história escrever o fim, e estamos mais preocupados com a vida das potências. 

 


Texto: Renato Oliveira

Criação de Imagens: Renato Oliveira, Natasha Macedo, Fernanda Pestana, Michele Gonçalves, Oscar Marin, Henrique Dutra, Patrícia Lora, Susana Dias.

Coordenação e fotos: Susana Dias

Grupo multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações (CNPq), do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ver: http://multitaocorrespondan.wixsite.com/multitao

 

 

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DIAS, Susana et al. Mani(n)festações.”. ClimaCom – Cosmopolíticas da Imagem[online], Campinas , ano. 4, n. 10. Nov. 2017 . Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=8409


 

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