ANO 04 - N09 - "Percepção" ISSN 2359-4705

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Dossiê Percepção – chamada para publicação encerrada

A revista ClimaCom Cultura Científica – pesquisa, jornalismo e arte encerrou submissão de artigos, resenhas e produções artísticas e culturais para o seu nono dossiê, a ser publicado no dia 15 de agosto de 2017.

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Editores: Gabriel Cid de Garcia e Carolina Cantarino Rodrigues

A revista ClimaCom Cultura Científica – pesquisa, jornalismo e arte convidou à submissão de artigos, resenhas e produções artísticas e culturais para o seu nono dossiê, a ser publicado no dia 15 de agosto de 2017. A submissão já foi encerrada e em breve disponibilizaremos um fabuloso dossiê!

Lidamos com questões atmosféricas desde o momento em que começamos a respirar. Nossa respiração, no entanto, não começa e nem se esgota em nós. Por isso toda respiração é também uma problematização atmosférica dos começos, da origem. Nada mais percebido que o clima e, ao mesmo tempo, nada também menos percebido que o clima. Pode-se traçar coordenadas, criar funções, grafar suas oscilações e analisar padrões, retornar ao passado e projetar futuros, mas seus enunciados diriam ainda muito pouco em termos de percebê-lo. Dado que a meteorologia e a climatologia lidam com realidades cuja percepção depende de variáveis irredutíveis aos seus domínios, a separação de elementos desde sempre relacionados nos convoca a pensar sobre a crise contemporânea envolvendo a percepção pública da ciência e das mudanças climáticas. Como ativar modos de perceber que deem conta dos aspectos mutáveis, complexos e coletivos das experiências das e com as mudanças climáticas? Entendidas de forma rigorosa, as mudanças climáticas inspiram, elas mesmas, mudanças de percepção.

Dentre os vários lugares comuns das práticas de divulgação científica, a categoria “público” sempre mobilizou atenções e interesses os mais diversos. Ora como alvo, ora como fetiche, o público aparece ainda hoje como uma misteriosa categoria amorfa, ao mesmo tempo com mil faces e nenhuma: uma massa preenchedora de surveys que guarda o segredo de suas percepções. Quando situado tradicionalmente em oposição ao discurso da ciência, não raro é confundido com um receptáculo de conhecimentos produzidos alhures. Procuramos desafiar os sentidos da ideia de uma percepção pública, escapando de sua tautologia ao voltar nossa atenção para a ideia de um público “sem sujeito”, que recusa prolongar a herança da distinção clássica entre o eu e o ambiente. Neste sentido, o público aparece como dimensão ativa, co-partícipe na produção do conhecimento, sempre já em relação com a invenção de um mundo por vir.

A percepção de pessoas e de coletivos os mais diversos – como indígenas, agricultores, populações rurais, etc – muitas vezes é alvo de atenção pela possibilidade de se coletar, comparar e descrever as dimensões humanas das mudanças climáticas, depreendidas do recorte fenomenológico das suas experiências vividas. Por outro lado, em um recorte de inspiração empirista – quando estendemos a percepção para além dos sujeitos –, adentramos um território de imbricação com a atmosfera que desafia os parâmetros antropomórficos do humano, favorecendo o jogo coletivo das núpcias com as paisagens não-humanas da natureza: a vida inorgânica que inspira linhagens de percepções impessoais, apostando na atmosfera como dimensão estético-política de partilha, prenunciando tempos não-cronológicos e relações sempre anteriores aos termos. Através da articulação entre artes, filosofias, culturas, ciências e tecnologias, fazemos um convite para pensar juntos, neste dossiê, sobre quais desafios insistem e resistem quando falamos de percepção pública da ciência, de divulgação científica e mudanças climáticas.

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