ANO 03 - N07 - "Incerteza" ISSN 2359-4705

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INTERVALAR – Indiscernibilidade, ou sobre o mínimo do real

Título: INTERVALAR – Indiscernibilidade, ou sobre o mínimo do real


A partir da criação de uma base de dados com artistas experimentais de diferentes partes do mundo, em especial os do projeto Lowave, trabalhamos com uma produção que trazia o conceito de “vídeo mapping”: tratava de relatos de refugiados sobrepostos a criação de uma espécie de mapa, desenhados pelas pessoas que faziam o relato, do lugar onde viviam, de sua rotina, e sua relação com o espaço. Nossa ideia foi a de coletar relatos de pessoas que vivem em situações marginalizadas, de como elas se relacionam com o espaço da cidade, ao mesmo tempo em que pedir a estas que, em uma folha em branco, representassem essa relação de alguma maneira. Coube a mim fazer a transcrição do áudio do primeiro relato que nós tínhamos. E, inspirado por algumas falas nesse áudio, decidi seguir por uma linha diferente. Em seu relato, o morador de rua dizia se sentir como um fantasma que hora desaparece em um lugar para aparecer em outro quando se movimenta pela cidade. Isso me inspirou a mergulhar na cidade, munido de uma câmera fotográfica, para procurar esses fantasmas, investigar o fenômeno dos aparecimentos e desaparecimentos, procurar por vestígios e revelar as impressões deixadas no corpo da cidade. E foi o que eu fiz. Em uma manhã, levando minha câmera Zenit, saí pelo centro da cidade de Campinas a procura das impressões deixadas por esses fantasmas na cidade. O que me chamou atenção nessa busca não foi somente como essas impressões parecem estar em todo lugar (ainda que pareçam revelar-se somente quando as procuramos), mas como todas essas impressões e as relações que se dão entre todos os que compartilham aquele espaço (sejam os mais privilegiados ou não) parecem criar uma voz própria da cidade. A cidade fala, a cidade grita, a cidade sorri. Sinto que no fim do dia (ou no fim das 36 fotos disponíveis no filme), foi isso que eu acabei passando para as fotografias. Depois de reveladas as fotografias, e muita conversa, troca de ideias, leitura e mais inspiração, resolvi trabalhar com elas de modo a trans-parecer melhor os sentimentos que eu tive ao fotografar isso tudo. E ainda inspirado pelo trabalho da artista visual indiana NaliniMalani, utilizei da técnica de glitch art para revelar formas, cores, distúrbios e realces escondidos nas imagens, mas que se repetem e clamam, se distorcem e destacam. Mostrando o quão complexas são as relações que se dão na cidade, fruto das vidas tão variadas daqueles que utilizam seu espaço.


Autor: Murilo Salvador Collange

Projeto Intervalar

OLHO-FE-Unicamp

Coord. Prof. Dr. Antonio Carlos Rodrigues de Amorim


Intervalar

Quando a palavra escrita convidou as imagens para a acompanharem nos deslizamentos de significados? Essa questão aglutina este projeto em rede de colaboração com universidades brasileiras e estrangeiras, congregando sentidos propulsores de um movimento de ruptura e de atravessamentos potentes da produção científica e sensível da educação e divulgação científica e cultural. Neste projeto de pesquisa coletivo, buscam-se aproximações entre educação, arte e divulgação científica e cultural e as teorizações de Gilles Deleuze pela via das visualidades, particularmente as marcas da era das produções artísticas midiáticas contemporâneas em que se salientam dois aspectos: a imersão no cotidiano, na qual as questões referentes às culturas de massa, de mercado e de homogeneização são um dos pontos tensionadores e as possibilidades de pensarmos as produções audiovisuais fora dos binômios: palavra e imagem; enunciável e visível; significado e sentido. Como um conceito, a audiovisualidade é um espaço inabitado do paradoxo. O paradoxo das diferenças e das disjunções entre o texto e a imagem, ou entre o enunciável e o visível. Pensar a educação e a divulgação como signo no meio, num campo de forças e vetores da arte (em especial pelas audiovisualidades), gerando um plano de composição, em diálogo com os conceitos da filosofia da diferença de Gilles Deleuze e com a imersão analítica em imagens de produções audiovisuais contemporâneas denominadas cinematográficas, videoinstalações ou de outras naturezas. No projeto, são inventados e criados artefatos visuais e audiovisuais destinados à exposições em espaços públicos.

Integrantes: Antonio Carlos Rodrigues de Amorim – Coordenador / Erica Speglich / Elenise Cristina Pires de Andrade / Carlos Eduardo Ferraço / Janete Magalhães Carvalho / Nilda Alves / Bia Porto / Susana Oliveira Dias / Alda Regina Tognini Romaguera / Alik Wunder / Leandro Belinaso Guimarães / Pamela Zacharias Sanches / Juliana Aparecida Jonson Gonçalves / Davina Marques / Ana Godinho / Juliana Soares Bom Tempo / Marcus Pereira Novaes / Lilian Barbosa / Ian Buchanan / Pasi Väliaho / Barbara dos Santos/ Fernanda Nunes / Murilo Collange/ Waldirene de Jesus / Edvan Lessa / Rodrigo Marcondes.

Financiador(es):  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo / Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão da Unicamp / Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Edital Universal N. 484908/2013-8.