ANO 03 - N05 - "Vulnerabilidade" ISSN 2359-4705

CHAMADA | BUSCA E OUTRAS EDIÇÕES


Monumento Mínimo

Título: Monumento Mínimo


Resumo: Monumento Mínimo/Minimum Monument é uma intervenção nos espaços urbanos inicialmente concebida como um anti monumento, como uma leitura crítica aos monumentos nas cidades contemporâneas. Inverti as características do monumento: no lugar do herói eleito pelo poder público, o homem comum sem rosto e anônimo; no lugar da solidez da pedra, o processo efêmero do gelo; no lugar da escala grandiosa dos monumentos, a escala mínima dos corpos perecíveis.

Desse modo o Monumento perde a sua condição estática para ganhar fluidez no deslocamento urbano e na mudança do estado da água. A memória fica inscrita na imagem fotográfica e a experiência do derretimento é compartilhada por todos.

A relação entre sustentabilidade/meio ambiente aconteceu à medida que o Monumento Mínimo foi intervindo nas cidades. Mais exatamente a partir de setembro de 2009, na intervenção realizada em Berlin junto com a WWF, quando o Monumento Mínimo foi realizado como um trabalho diretamente ligado ao aquecimento global, no mesmo momento em que acontecia a 3a. Conferência Climática Mundial em Genebra.

Sua afinidade com o tema é evidente,  ele pode ser lido como um “monumento vivo” ecoando em questões contemporâneas, despertando interesse para além do circuito da arte contemporânea.

Eu entendo que hoje o Monumento Mínimo atende a duas questões: a primeira diz respeito ao aquecimento global e àa consequente ameaça de nosso desaparecimento do planeta. O historiador Fustel de Colanges, em “A cidade Antiga”, dizia que as cidades antigas eram fundadas a partir de um rito. Penso que o Monumento Mínimo, no momento de sua instalação nas ruas, é um rito. Um rito de refundação das cidades hoje em outras bases. É um monumento líquido para tempos líquidos. A segunda diz respeito ao que ele propõe: outro modo de celebração da memória pública em datas históricas comemorativas como, por exemplo, em Birmingham, na Inglaterra (2014), na comemoração do centenário da Primeira Guerra Mundial, quando cinco mil esculturas em gelo ocuparam toda a Chamberlain Square lembrando os anônimos que deram sua vida em sacrifício.


Autora: Néle Azevedo, artista internacional, pesquisadora independente, vive e trabalha em São Paulo- Brasil, é mestre em artes visuais  pelo Instituto de Artes da UNESP.Durante seu mestrado iniciou a pesquisa que resultou na intervenção com esculturas em gelo “Monumento Mínimo”, que desde 2005 tem sido convocada a se fazer em várias cidades do mundo como Brasília, Salvador, São Paulo, Havana (Cuba), Tóquio e Kyoto (Japão), Berlim (Alemanha), Florença (Itália), Stavanger (Noruega), Amsterdam (Holanda), Belfast (Irlanda), Santiago do Chile (Chile), Lima (Peru), Birmingham (UK) e Paris (França).  Registradas por TVs, Jornais e pelo público em geral, as imagens das intervenções tornaram-se mundialmente conhecidas, despertando interesse para além do circuito da arte contemporânea.

Link: www.neleazevedo.com.br

Vídeo – registro da intervenção com o Monumento Mínimo/Minimum Monument  realizada em 03 de Outubro de 2015 em Paris dentro da programação da Nuit Blanche/2015 no contexto do aquecimento global.